A pedido do RealTime1, o sociólogo Gilson Gil fez uma análise do desempenho dos candidatos ao Governo do Amazonas nas eleições deste ano, tomando como base os números das pesquisas eleitorais divulgadas até agora.
Desde fevereiro, foram 15 pesquisas registradas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e, segundo ele, há várias diferenças e similaridades. De maneira resumida e um pouco didática, é hora de falar sobre isso.
Para melhor compreensão, as pesquisas foram separadas em dois blocos. No bloco 1, de 3 de fevereiro até 9 de maio, com oito pesquisas, o que poderia marcar sua unidade é o predomínio de Amazonino Mendes (Cidadania), com números entre 30,1% e 40%. Wilson Lima (União Brasil) fica bem abaixo, com uma média de 22,4%; Eduardo Braga (MDB) já aparece em terceiro e Ricardo Nicolau (Solidariedade) surgiria como o quarto.
Em maio e junho, foram cinco as pesquisas registradas, desde o dia 11. Ou seja, há praticamente um mês: Pontual (18/5), Iveritas (23/5), Realtime BigData (30/5), Perspectiva (31/5) e Icepam (1º de junho). Seus resultados apresentam certa lógica e coerência, apesar de algumas diferenças nos detalhes. Seriam os retratos mais atualizados do cenário eleitoral.
Diferenças
Primeiro, a margem de erro. No bloco 1, elas oscilaram entre 2% (Perspectiva) e 3% (CM7, Iveritas e Realtime BigData). No bloco 2, elas variaram pouco, oscilando entre 1,9% (Pontual) e 3% (Iveritas e Perspectiva). Por que isso seria importante?
Sua importância maior está na leitura dos dados.
É incorreto dizer que alguém tem 10%, com uma margem de erro de 3%. O mais adequado é dizer que esse candidato possui entre 7% e 13%. É assim que tais números precisam ser lidos, pesquisa por pesquisa.
Além disso, também variaram na amostra entrevistada. No bloco 1, variaram entre 1.200 (Realtime) e 5.094 (Iveritas), passando por 3.600 (Perspectiva) e 5.000 (CM7). No bloco 2, algo similar ocorreu. As amostras vão de 1.550 (Realtime) até 5.688 (Iveritas).
Outro ponto diferente foi a quantidade de cidades onde foram feitas as entrevistas. Só pensando no bloco 2, houve uma pesquisa feita em 14 municípios e outra realizada em 26.
Como explicar tais diferenças na coleta dos dados? Os custos do serviço e o orçamento disponível explicam tais diferenças nesses detalhes metodológicos.
Vale a pena registrar que não adianta elevar tanto a amostra, pensando no caso da Iveritas (5.688 entrevistas). O custo da pesquisa fica alto demais e os resultados não mudam significativamente.
Com um número bem menor de entrevistas, Realtime BigData (1.500) e Perspectiva (3.000) obtiveram margens de erro iguais ou próximas.
É bom ressaltar que boas pesquisas se fazem através da divisão da amostra pelas cidades e bairros, conforme os critérios estatísticos vigentes e que devem estar bem transparentes no registro oficial e na divulgação.
Não divulgadas
Ainda vale a pena destacar que duas pesquisas foram registradas, mas não divulgadas (Eficaz e Castro Mkt).
Por que isso?
Há algumas suposições: por exemplo, a empresa apenas pode ter registrado a pesquisa, mas não a fez por falta de patrocínio. Contudo, geralmente, isso ocorre porque os números não agradam ao cliente e este solicita à empresa para não divulgar a pesquisa.
É o caso de ver qual o fato que houve nesses dois episódios, incluindo, caso haja a curiosidade, verificar qual o contratante desses serviços.

Amazonino cai
O fato inicial a destacar é que Amazonino Mendes lidera todas essas pesquisas. No bloco 1, apresenta a média simples de 33,4%. Em 2 pesquisas do IDP obteve 39% e 40%, seus resultados mais altos. Nas outras, oscilou entre 30,4% e 33,4%.
Já no bloco 2, iniciado em 11 de maio, os números de Amazonino baixaram um pouco, variando entre 28,9% e 30%. Tirando uma média simples desses resultados, ele abriria junho com 29,2%.
Se pensarmos, num cálculo razoável, que 2.105.961 eleitores comparecerão no dia da eleição (uma abstenção de 19,35%), podemos imaginar, de maneira aproximada, que ele possuiria, hoje, cerca de 614 mil votos e que teria “perdido”, em relação ao primeiro grupo de pesquisas, mais de 80 mil votos.
Wilson sobe
Outro fato que podemos ressaltar é como Wilson Lima vem subindo e se consolidando na segunda posição. No bloco 1, ele iniciou com 13,7%, chegando a 35,1%, em março, baixando depois para 16,6%. Teria entrado em maio com uma média simples de 22,4%.
Contudo, nestes últimos 30 dias, de 23,3%, passou para 28,1% e chegou em junho a 26%. Possuiria, hoje, aproximadamente, um quarto do eleitorado. Nesse período, sua média ficou em 25,4%.
No mesmo cálculo anterior, ele estaria hoje com cerca de 534 mil votos. Entre os 2 blocos, teria conseguido arrebanhar mais de 60 mil novos votos.
Há uma polarização entre ele e Amazonino que vem se firmando. Se fizermos uma leitura das médias do bloco 2, a partir de uma hipotética margem de erro de 2%, poderíamos especular que Amazonino teria algo entre 27,2% e 31,2%, enquanto Wilson estaria com números entre 23,4% e 27,4%.
Eduardo pode surpreender
Mas não podemos esquecer Eduardo Braga. Sua regularidade é impressionante. Nas 8 primeiras pesquisas ficou com a média simples de 17,7%, oscilando entre 14,2% e 20,3%.
No bloco 2, iniciou maio com 17,7% e abre junho com 17%. Sua média aritmética nesse período ficou em 17,8%, praticamente a mesma do início do ano. É quase um quinto do eleitorado. Hoje, possuiria mais de 370 mil votos. É um competidor que não pode ser descartado. Na hipotética margem de erro de 2%, estaria com algo entre 15,7% e 19,7%.
Qualquer oscilação de Amazonino ou Wilson e ele pode surpreender, indo ao segundo turno.
Não podemos esquecer que ele está firmando alianças com prefeitos do interior (Parintins, por exemplo) e, provavelmente, será o candidato de Lula no Amazonas (mesmo que o PT lance alguém, há muitas possibilidades de que este nome seja “Cristianizado” – Cristiano Machado em 1950). Com a polarização federal crescendo, ele será beneficiado, caso se atrele à figura de Lula.
O pleito parece estar se fechando em torno desses 3 nomes citados.
Outros, como Ricardo Nicolau e Carol Braz (PDT), estão estabilizados em uma faixa de 3% a 5%. Isso lhes dá visibilidade e os habilita a tentarem outras eleições ou negociarem apoios no segundo turno, mas, por ora, é insuficiente para surpreender os favoritos.
Cenários
Por enquanto, vemos Amazonino e Wilson disputando o segundo turno, usando todos seus recursos – máquina, memória do eleitor, passado disposição física, capacidade de viajar e propaganda, entre outros.
Eduardo está um pouco atrás, mas possui um bom número de eleitores fiéis e pode se
aproveitar de qualquer descuido dos líderes e surpreender, pois está bem aceso e em campanha aberta.
Os números estão se ordenando, com poucas diferenças, excetuando-se a CM7 de março que dava a vitória a Wilson sobre Amazonino (35,1% x 31,5%) e a da IDP de 9 de maio, cuja vantagem de Amazonino sobre Wilson seria de 40,1% x 16,6%.
No mais, vemos que Amazonino segue líder, mas caindo de uma faixa de mais de 33% para outra, com pouco menos de 30%, enquanto Wilson teria subido de aproximadamente 20% para algo em torno de 25%.
E atenção aos indecisos, pois a média deles no bloco 2 está em 7,1%,ou seja, mais de 140 mil eleitores. A chave da ida ao segundo turno pode estar nesse segmento.
Texto: Redação e Gilson Gil
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