A polêmica sobre a cobrança ou não do cartão de vacinação infantil atualizado com a vacina contra Covid-19 nas escolas municipais de Manaus ainda vem rendendo discussões no meio político. O RealTime1 foi até a Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam) repercutir o tema com os parlamentares.
Os deputados abordados foram favoráveis à aplicação da vacina, mas nem todos concordaram com a exigência da apresentação do passaporte vacinal nas escolas.
Sinésio Campos (PT) afirmou que a exigência desse documento já está prevista em lei, portanto, não há porquê se criar uma problemática em torno da questão.
”Não estão fazendo nada além do que cumprir o que já existe. O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) determina, está bem claro, os governos estadual e municipal estariam incorrendo em improbidade administrativa, ou seja, em um crime”.
Assim como o petista, Serafim Corrêa (PSB) já havia se posicionado favorável à exigência do passaporte vacinal por entender que o tema é expresso em âmbito federal através do ECA.
Saullo Vianna (PTB) disse que incentivar a vacina e cobrar o passaporte será benéfico, inclusive, para alavancar as estatísticas de imunizados.
”Eu sou a favor. Isso é uma segurança não só para as crianças mas também para os professores e famílias e também para que a gente possa estimular a vacinação tendo em vista que hoje por conta de desinformação e fake news, essa discussão de vacina tem gerado dúvidas nas pessoas e isso tem atrapalhado o avanço da imunização”.
Dermilson Chagas (sem partido) afirmou que essa discussão deve ficar a cargo daquilo que a comunidade científica disser.
”Nós temos que ter uma compreensão da ciência, a vacina já salvou muitas vidas. Eu sou a favor da vacina, se a ciência está dizendo que esse é o caminho nós temos que percorrer esse caminho, se a ciência amparar [a exigência do cartão nas escolas] eu sou a favor”.
Vacina SIM, passaporte NÃO!
João Luiz (Republicanos) defendeu a vacina e mais publicidade para que os pais e responsáveis entendam a importância de se imunizar, mas afirmou que cobrar o cartão atentaria contra a democracia.
”Eu sou a favor da vacina, mas sou contra a obrigação de ter que apresentar o passaporte vacinal, principalmente depois que foi dito que as crianças só poderiam entrar na sala de aula portando esse cartão. Eu acredito que precisa ser investido em publicidade, mostrando a importância dos pais vacinarem seus filhos, ao invés de impor”.
Tony Medeiros (PSD) acredita que a decisão fica sob a responsabilidade dos pais e que a cobrança só deve ser feita caso o tema seja aprovado em lei.
”Eu acho que eu protejo vacinando e me vacinei, tem gente que acha que protege [os filhos] não vacinando. Se for obrigatório, você tem que vacinar, mas se não foi obrigatório você tem que respeitar. O país é democrático, mas no meu caso, eu protejo meus filhos vacinando-os”.
Belarmino Lins (PP), decano da Casa, declarou que vai seguir aquilo que for dito pelas autoridades sanitárias, mas não afirmou diretamente se apoia a cobrança do cartão nas escolas.
”É uma questão polêmica, os estudiosos estão divididos em dois grupos, uns a favor outras contra. Eu confesso que eu prefiro seguir o que determina as autoridades sanitárias do Brasil e do mundo, o que eles entenderem que for melhor pra proteger homens, mulheres e crianças. Eu não vou estar na contramão daquilo que for melhor para proteger a vida”.
Adjuto Afonso (PDT) disse que privar crianças não-vacinadas de estudarem é inadmissível.
”Eu acho que todo mundo tem que se vacinar, agora não é porque alguém não se vacinou por algum motivo que deixa de frequentar a escola. Dessa forma eu sou favorável a não exigência, a criança não pode ser impedida”.
Dr. Gomes (PSC) acredita que ao obrigar, muitas crianças que não tiveram oportunidade de saber as reais condições de saúde poderiam ser prejudicadas.
‘Há famílias cujos pais não tiveram e nem têm condições de levar seus filhos no médico pra saber se eles têm comorbidades. Quando nós obrigamos, nós estamos encurralando as famílias para que as crianças recebam uma vacina que pode trazer consequências. É importante vacinar, mas com ressalvas. Eu sou contra a obrigatoriedade”.
Na semana passada, os deputados Delegado Péricles (PSL) e Fausto Junior (MDB) protocolaram um projeto de lei que visa proibir a cobrança do cartão de vacinação, mas ambos se mostraram a favor da vacina.
Felipe Souza (Patriota) informou por meio de sua assessoria, que não irá comentar o tema.
Dra. Mayara (PP), Joana D’Arc (PL), Carlinhos Bessa (PV) e Wilker Barrero (sem partido), que participaram, presencialmente, da sessão plenária desta quarta-feira (9) na Aleam, foram questionados através de suas assessorias e terão seus posicionamentos colocados nesta reportagem tão logo respondam ao questionamento do RealTime1.
Texto: João Luiz Onety
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