A decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) de aumentar a taxa básica de juros (Selic) em 1,5 ponto percentual, elevando para 10,75% ao ano, resultará em encarecimento dos produtos adquiridos por parcelamento prejudicando o consumidor e, de forma mais ampla, o setor produtivo. Empresários e economistas afirmam que a medida econômica deverá reduzir vendas, os empregos e a arrecadação de tributos.
O economista, Francisco Mourão Júnior, explica que a medida do Banco Central tenta conter a inflação. Por outro lado, prejudica o consumidor, que paga mais caro pelo produto, e dificulta os investimentos às empresas em decorrência da alta de juros sobre os financiamentos. Esse foi o oitavo aumento consecutivo da taxa de juros, iniciado em março de 2021.
“Se a inflação está alta o BC eleva a taxa de juros com o intuito de retrair o consumo. O comerciante que não pode ficar com a mercadoria em estoque, diminui a margem de lucro para tentar vender o produto, provocando a redução da inflação. Por outro lado, as empresas deixam de comprar maquinários devido os juros altos, deixam de aumentar produção e de gerar empregos”, comentou.
Política monetária ‘freia’ retomada produtiva
O economista e vice-presidente da Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (Fieam), Nelson Azevedo, afirma que com o aumento na taxa de juros as indústrias que precisarem tomar empréstimos para financiar capital de giro ou para investimentos, pagarão mais caro. Da mesma forma acontecerá com o consumidor que efetuar compras a prazo. Ele define a medida como um freio à atividade produtiva e à recuperação da economia.
“Para a indústria, essa alta é uma continuidade na política monetária que freia o ritmo de retomada da produção e das vendas. O consumo é desestimulado e a indústria reduz a produção. Esses dois fatores juntos são suficientes para reduzir os empregos, as vendas e a arrecadação dos tributos”.
O presidente do Centro da Indústria do Estado do Amazonas (Cieam), Wilson Périco, também enfatiza que a elevação da taxa de juros é prejudicial ao consumidor, ao setor produtivo e à geração de empregos.
“Os financiamentos ficam mais caros e isso dificulta a vida do consumidor, além de dificultar a atividade produtiva que utiliza recursos através do sistema financeiro”, disse Périco.
Texto: Priscila Caldas
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