O nível do rio Negro baixou 26 centímetros nos últimos sete dias, conforme análise do RealTime1 a partir de dados fornecidos pelo Porto de Manaus, que possui um sistema de medição das cotas diárias do rio Negro.
O fenômeno conhecido como repiquete – quando o nível do rio estabiliza, mas depois desce e em seguida volta a subir – pode ser favorável para evitar uma grande cheia em 2022, conforme destacou, em entrevista ao RealTime1, o pesquisador em geociências André Santos, do Serviço Geológico do Brasil.
Para ele, o fenômeno de repiquete, que vem ocorrendo há mais de vinte dias no rio Solimões, em Tabatinga; agora tem influência no nível do rio Negro, em Manaus. A distância entre os dois municípios do Amazonas é de 1.106 quilômetros em linha reta.
“Manaus ainda está em período de cheia, e esse processo é definido pelo rio Solimões, visto que a bacia do rio Negro, que vem de São Gabriel da Cachoeira e desce até o Encontro das Águas, em Manaus, ainda está em processo de vazante. A capital do Amazonas ainda está sob influência dessa vazante do rio Negro, e que vem sendo intensificada com esse repiquete que chegou de Tabatinga”, explica o especialista.
Conforme o pesquisador, a cota do rio Solimões em Tabatinga encerrou o processo de cheia no início de janeiro, mas precisamente no dia 2, e desde então começou a descer. Na região, segundo André Santos, a cota do rio já baixou quatro metros e meio, o que o pesquisador considera um repiquete bem intenso.
“O que já vem acontecendo em Tabatinga há mais de 20 dias agora começou a refletir em Manaus há seis dias, quando o nível do rio Negro começou a baixar. Para ser mais preciso já dura dez dias, desde quando o nível do rio não apresentou oscilações.
O pesquisador em geociências avalia que é provável que a cota do rio Negro apresente uma descida mais agressiva, e isso, segundo ele, é bom já pensando em uma possível grande cheia para 2022. “Esse evento vai trazer as cotas do rio Negro em Manaus e no baixo Amazonas para padrões esperados, cotas dentro do esperado e normais para a época”, enfatiza.
Cheia histórica em 2021
A cota do rio Negro atingiu nível de recorde histórico de 30,02 metros em junho de 2021. Após o feito, o rio iniciou o processo de vazante que durou até o início do mês de novembro do ano passado.
A partir do dia 5 de novembro, o nível do rio voltou a subir e chegou a registrar a cota de 24,50 metros até o dia 18 de janeiro, quando começou o fenômeno do repiquete e o nível voltou a baixar. Durante os últimos sete dias, a cota do rio baixou para 24,24 – uma diferença de 26 centímetros a menos.
Texto: Isac Sharlon
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