O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) classificou, nesta quarta-feira (27), os quase seis meses de investigação da Comissão Parlamentar de Inquérito da Covid-19 Senado como uma “palhaçada” e disse que o relatório apresentado foi usado pelo relator, senador Renan Calheiros (MDB/AL), como uma vingança.
O documento foi aprovado nesta terça-feira (26) por 7 votos contra 4 e acusa Bolsonaro pela prática de nove crimes. Outros nomes foram indiciados pelos senadores e a investigação deve seguir pelos órgãos competentes a partir de agora.
Em Manaus, onde cumpre agenda hoje, Bolsonaro questionou o que o grupo majoritário da CPI da Covid teria feito de forma efetiva pela economia do país, alegando que o trabalho da comissão deixa a imagem do Brasil “péssima” no exterior.
“O que essa CPI fez de vantajoso para o país? O que os senadores do G7 fizeram em 2020? Se eles sabiam de tudo, por que não procuraram o presidente. Ficaram em casa de férias?”, questionou o presidente.
Bolsonaro insistiu na defesa da autonomia médica para a prescrição de medicamentos sem eficácia comprovada no tratamento da Covid-19 e justificou que o seu governo se baseou nessa independência dos profissionais para enfrentar a pandemia.
Ainda segundo o presidente, que citou a Food and Drug Administration, agência que regulamenta o uso de medicamentos nos EUA, as maiores vítimas da pandemia foram os obesos e os “apavorados”.
Relatório aprovado
Nesta terça-feira (26), a CPI encerrou os trabalhos com a aprovação do relatório final pede o indiciamento do presidente por nove crimes, entre os quais os de charlatanismo e prevaricação. A lista inclui, ainda, crimes contra a humanidade (extermínio, perseguição e outros atos desumanos), arrolados no Tratado de Roma, do qual o Brasil é signatário.
A CPI também pediu punição a Bolsonaro por crimes de responsabilidade, pelos quais um governante pode sofrer processo de impeachment.
Texto: Jefferson Ramos
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