A transparência termina quando a AADESAM vira contratante?
Depois de analisar como o Estado contrata a AADESAM, a investigação passa a observar o caminho inverso: como a própria entidade utiliza parte dos recursos que administra.
Um dos contratos publicados chama atenção. Em março de 2026, a AADESAM contratou um escritório de advocacia por R$ 3,5 milhões, pelo prazo de cinco anos, para assessoria tributária, atuação judicial e administrativa, redução da carga tributária, transações fiscais e regularização tributária.
O contrato, por si só, não demonstra qualquer irregularidade, as perguntas surgem justamente das informações que não foram divulgadas.
O extrato não esclarece o critério utilizado para a escolha da contratada, a metodologia empregada para fixação do preço nem a origem dos recursos que financiarão a execução contratual.
Como a entidade aplica esses recursos?
A transparência não termina quando o recurso público chega ao destinatário, ela continua enquanto esse recurso é administrado. Se a entidade recebe recursos públicos, também deve demonstrar, com a mesma clareza, como escolhe seus fornecedores, quanto paga, por que paga e com quais recursos paga. É nesse momento que a transparência deixa de olhar apenas para quem transfere recursos e passa a alcançar quem os administra.