O Brasil deixou a lista das 20 nações com o maior número de crianças sem a imunização inicial, segundo dados apresentados em um relatório da Organização Mundial da Saúde. O resultado indica recuperação da cobertura vacinal infantil depois de anos de queda e aumento do risco de retorno de doenças controladas.
A melhora considera principalmente as chamadas crianças “dose zero”, que não receberam a primeira dose de vacinas básicas. A redução desse grupo é um indicador relevante porque mostra maior capacidade de localizar famílias e levar a vacinação a áreas socialmente vulneráveis.
A recuperação não significa que todas as metas foram alcançadas. O país ainda precisa garantir que as crianças completem os esquemas, recebendo reforços e doses previstas para diferentes idades.
Uma criança que recebe a primeira aplicação, mas não retorna às unidades de saúde, pode permanecer sem a proteção adequada. Por isso, os sistemas de informação precisam identificar atrasos e orientar a busca ativa.
A cobertura vacinal caiu no Brasil durante vários anos. Entre as causas estão desinformação, dificuldades de acesso, horários restritos nas unidades de saúde, perda de registros e percepção equivocada de que doenças como sarampo e poliomielite deixaram de representar perigo.
A pandemia de covid-19 também prejudicou o calendário infantil. Muitas famílias adiaram consultas, enquanto equipes de saúde concentraram esforços no atendimento emergencial e na vacinação contra o coronavírus.
A retomada exige atuação conjunta de municípios, estados e governo federal. As prefeituras são responsáveis pela aplicação das doses, mas precisam receber imunizantes, recursos e apoio técnico de maneira regular.
Escolas podem contribuir ao informar as famílias sobre doses atrasadas e solicitar a apresentação da caderneta. A medida, entretanto, não deve impedir o acesso do aluno às aulas.
O avanço também precisa alcançar comunidades indígenas, ribeirinhas, rurais e periferias urbanas. Nessas regiões, a distância e a falta de transporte podem ser tão importantes quanto a hesitação vacinal.
No Amazonas, campanhas precisam considerar viagens fluviais e equipes móveis. O calendário das expedições deve acompanhar as condições dos rios e a distribuição das comunidades.
A vacinação protege individualmente e reduz a circulação de vírus e bactérias. Quando a cobertura diminui, pessoas que não podem receber determinados imunizantes, como bebês muito novos e pacientes imunossuprimidos, ficam mais expostas.
O resultado divulgado pela OMS é positivo, mas precisa ser sustentado. A recuperação só estará consolidada quando as metas forem atingidas de forma contínua em todos os municípios, sem grandes desigualdades regionais.