A direção nacional do Partido dos Trabalhadores decidiu retirar a pré-candidatura do ex-deputado federal Marcelo Ramos ao Senado pelo Amazonas. A mudança, anunciada pelo próprio político nesta terça-feira (14), interfere diretamente na organização da base aliada do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para as eleições de 2026 no estado.
Segundo Marcelo Ramos, a orientação da direção nacional é para que ele concorra novamente a deputado federal. O ex-parlamentar afirmou que a decisão teria sido tomada após uma solicitação do senador Eduardo Braga, do MDB, que pretende disputar a reeleição e integra o grupo de apoio ao governo federal no Amazonas.
A retirada ocorre depois de o PT estadual ter construído publicamente uma articulação para lançar Marcelo Ramos ao Senado. Em maio, dirigentes partidários haviam indicado apoio ao projeto político liderado pelo senador Omar Aziz e apresentado Ramos como um dos nomes da composição eleitoral.
Nas eleições de 2026, cada eleitor poderá votar em dois candidatos ao Senado, já que duas das três cadeiras do Amazonas estarão em disputa. Esse formato permite que partidos de uma mesma aliança apresentem mais de um nome, mas também amplia a concorrência interna por votos e recursos de campanha.
Marcelo Ramos sustentou que sua candidatura não seria incompatível com a de Eduardo Braga. Para ele, a existência de dois votos por eleitor permitiria a formação de uma chapa conjunta. A direção nacional, entretanto, optou por reduzir o risco de fragmentação dentro do campo governista.
A decisão fortalece a pré-candidatura de Braga, mas pode provocar insatisfação em setores do PT amazonense. Marcelo Ramos possui trajetória política própria e já ocupou mandatos de vereador, deputado estadual, vice-prefeito de Manaus e deputado federal. Sua transferência para a disputa pela Câmara também altera os cálculos da chapa proporcional do partido.
O episódio demonstra como as estratégias nacionais podem se sobrepor às decisões tomadas pelos diretórios estaduais. Em alianças amplas, partidos precisam conciliar interesses locais com a formação de palanques considerados prioritários para a disputa presidencial.
Até a realização das convenções partidárias, as pré-candidaturas podem sofrer novas mudanças. Somente após a aprovação em convenção e o registro na Justiça Eleitoral os nomes passam oficialmente à condição de candidatos.
A reorganização também deverá influenciar as alianças para o Governo do Amazonas. O grupo governista reúne políticos de diferentes partidos e trajetórias, o que exige acordos sobre as vagas ao Senado, a composição da chapa majoritária e a distribuição de apoio nas eleições proporcionais.
A saída de Marcelo Ramos da disputa não encerra possíveis divergências. Caberá ao PT estadual definir como apresentará a mudança à militância e quais compromissos políticos serão oferecidos ao ex-deputado para garantir sua participação na campanha.