terça-feira, 22 de setembro de 2026
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Pesquisa mostra divisão por gênero, religião e renda entre Lula e Flávio Bolsonaro

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A simulação nacional de segundo turno entre Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro apresenta uma diferença nominal de cinco pontos, com 45% para o presidente e 40% para o senador. O resultado geral, tecnicamente empatado no limite da margem de erro de 2,5 pontos percentuais, ganha outro significado quando é dividido por segmentos. Os cruzamentos da pesquisa Meio/Ideia de julho de 2026 mostram que a disputa não é homogênea: ela reúne eleitorados com preferências quase inversas conforme gênero, religião, renda, idade e região do país.

Entre as mulheres, Lula alcança 50,4% e Flávio Bolsonaro, 34,2%, uma diferença de 16,2 pontos. Entre os homens, a ordem se inverte: Flávio tem 46,3% e Lula, 39,2%, vantagem de 7,1 pontos. No recorte religioso, Lula marca 55,2% entre católicos, enquanto Flávio chega a 61,1% entre evangélicos. Regionalmente, Lula registra 62,7% no Nordeste, e Flávio obtém 54,1% no Sul. Por renda, o presidente atinge 58,8% entre quem recebe até um salário mínimo, enquanto o senador chega a 47,9% entre os que ganham mais de cinco salários mínimos.

Os números ajudam a explicar como duas candidaturas podem estar próximas na média nacional mesmo apoiadas por bases sociais distintas. Também indicam que a estratégia eleitoral não depende apenas de conquistar “o centro” de forma abstrata. Para cada lado, o crescimento pode vir de reduzir desvantagens em segmentos adversos, elevar o comparecimento de grupos favoráveis ou disputar parcelas hoje inclinadas a branco, nulo e indecisão.

Os cruzamentos, porém, exigem cuidado adicional. A margem de erro de 2,5 pontos divulgada vale para o total da amostra de 1.500 entrevistas. O PDF não informa o número de entrevistados nem a margem específica de cada segmento. Como subamostras são menores, a incerteza tende a ser maior. Diferenças pequenas dentro de idade, renda ou região não devem ser tratadas como lideranças estatisticamente asseguradas sem os respectivos tamanhos amostrais.

Gênero é a principal linha de separação no confronto

O recorte por gênero é um dos mais nítidos do levantamento. Entre os homens, Flávio Bolsonaro registra 46,3%, Lula 39,2%, branco ou nulo 9,3% e não sabe 5,3%. Entre as mulheres, Lula aparece com 50,4%, Flávio com 34,2%, branco ou nulo com 11,5% e não sabe com 3,8%.

A mudança de um grupo para o outro é expressiva. Lula cresce 11,2 pontos entre homens e mulheres; Flávio cai 12,1 pontos. A diferença entre os candidatos passa de 7,1 pontos favoráveis ao senador no eleitorado masculino para 16,2 pontos favoráveis ao presidente no feminino. A pesquisa, portanto, sustenta a avaliação apresentada no próprio relatório de que o voto das mulheres é decisivo para o equilíbrio do confronto.

Esse padrão também aparece na simulação com Michelle Bolsonaro, embora a presença de uma candidata mulher não elimine o diferencial. No segundo turno Lula x Michelle, os homens dão 42,1% a Michelle e 39,3% a Lula, uma distância nominal de 2,8 pontos. Entre as mulheres, Lula alcança 50,3% e Michelle, 30,4%, vantagem de 19,9 pontos. Branco ou nulo soma 10,6% entre homens e 11,4% entre mulheres; os indecisos são 8,1% e 7,9%, respectivamente.

A comparação mostra que Michelle tem desempenho masculino próximo ao de Flávio, mas fica abaixo dele entre mulheres. Isso impede uma interpretação automática de que uma candidatura feminina capturaria o voto feminino. O comportamento eleitoral é atravessado por identidade política, avaliação de governo, religião, renda e outros fatores. A pesquisa mede associação, não causa.

O levantamento também perguntou sobre a frase de que “mulher vota estatisticamente mal, principalmente as solteiras”. No total, 44% discordam totalmente e 16,6% discordam parcialmente; 4,3% concordam totalmente e 7,3% parcialmente. Entre homens, a discordância total é de 37,9% e a parcial de 6,7%, enquanto 9% concordam totalmente e 15,1% parcialmente. Entre mulheres, 49,6% discordam totalmente, 25,8% parcialmente e nenhuma entrevistada aparece nas categorias de concordância total ou parcial no gráfico publicado. O resultado reforça que declarações depreciativas sobre o voto feminino encontram rejeição majoritária, especialmente entre as próprias mulheres.

Idade divide jovens e eleitores mais velhos

No confronto Lula x Flávio Bolsonaro, o senador lidera entre os mais jovens. Na faixa de 16 a 24 anos, Flávio tem 45,7% e Lula 33,3%. Branco ou nulo soma 11% e não sabe, 10%. A diferença nominal de 12,4 pontos é a maior vantagem de Flávio entre as faixas etárias apresentadas.

Entre 25 e 34 anos, o cenário é mais estreito: Flávio marca 43,3% e Lula 42%. A distância de 1,3 ponto está muito abaixo da margem de erro geral e, sem margem própria da subamostra, deve ser descrita como equilíbrio numérico, não liderança consolidada. Branco ou nulo chega a 11,3% e não sabe, 3,3%.

A partir de 35 anos, Lula passa à frente. Entre 35 e 44 anos, registra 45,9% contra 36,1% de Flávio. Na faixa de 45 a 59 anos, o presidente alcança 50% e o senador, 38%. Entre eleitores com 60 anos ou mais, Lula tem 49% e Flávio, 39,3%. Os percentuais de branco ou nulo são 13,9%, 9,4% e 7%, respectivamente.

A curva etária indica uma oposição entre juventude e maturidade, mas não pode ser convertida em regra absoluta. Lula ainda reúne um terço dos jovens de 16 a 24 anos, e Flávio se aproxima de 40% entre os mais idosos. O dado relevante é a mudança do saldo: Flávio abre vantagem na primeira faixa, há equilíbrio entre 25 e 34 anos, e Lula lidera nas três faixas seguintes.

Na simulação Lula x Michelle Bolsonaro, o padrão é parecido. Michelle tem 47,6% entre 16 e 24 anos, contra 34,3% de Lula. Entre 25 e 34, Lula aparece com 41,3% e Michelle com 37%; entre 35 e 44, Lula marca 46,2% e Michelle 35,8%; entre 45 e 59, Lula chega a 49,5% e Michelle a 32,1%; entre 60 anos ou mais, Lula tem 49,3% e Michelle, 32%. A candidatura de Michelle preserva força entre os mais jovens, mas perde competitividade nas faixas de maior idade.

A presença de indecisos também varia. No confronto com Michelle, 11,4% dos jovens de 16 a 24 anos declaram branco ou nulo e 6,7% não sabem. Entre pessoas de 60 anos ou mais, 10,3% optam por branco ou nulo e 8,3% não sabem. Esses percentuais mostram que o efeito geracional não se resume à escolha entre os dois nomes; há parcelas relevantes sem voto válido declarado.

Renda mostra vantagem de Lula na base e de Flávio no topo

A renda é outra clivagem central. Entre eleitores com renda de até um salário mínimo, Lula registra 58,8% e Flávio Bolsonaro 28,4%, diferença de 30,4 pontos. Branco ou nulo soma 7,4% e não sabe, 5,4%. Esse é um dos melhores segmentos do presidente em todo o levantamento.

Na faixa de um a três salários mínimos, a ordem se inverte: Flávio aparece com 45% e Lula com 39,9%. A diferença nominal é de 5,1 pontos, enquanto branco ou nulo alcança 11,5% e não sabe, 3,5%. Sem margem específica do segmento, a vantagem deve ser interpretada com prudência.

Entre três e cinco salários mínimos, Lula tem 42,3% e Flávio 39,3%, diferença de três pontos. Branco ou nulo chega a 12,4% e não sabe, 6%. O resultado é numericamente equilibrado e não permite afirmar liderança estatística no recorte.

Acima de cinco salários mínimos, Flávio Bolsonaro alcança 47,9%, contra 37,6% de Lula. Branco ou nulo soma 10,3% e não sabe, 4,2%. A distância de 10,3 pontos sugere vantagem relevante do senador no estrato de maior renda, embora novamente deva ser considerada a incerteza maior de uma subamostra cujo tamanho não foi divulgado.

Com Michelle Bolsonaro, a distribuição segue direção semelhante. Lula tem 58,3% entre os que recebem até um salário mínimo, e Michelle, 22,5%. Na faixa de um a três salários, Lula marca 41% e Michelle 40,7%, praticamente iguais. Entre três e cinco salários, Michelle aparece com 41,3% e Lula com 40,3%. Acima de cinco salários, Michelle registra 44,2% e Lula, 37,6%.

A comparação entre Flávio e Michelle sugere que ambos são competitivos nas rendas intermediárias e superiores, enquanto Lula mantém vantagem ampla na base da pirâmide. Flávio, contudo, supera Michelle na faixa de até um salário mínimo — 28,4% contra 22,5% — e acima de cinco salários — 47,9% contra 44,2%. Michelle se aproxima mais de Lula entre um e três e entre três e cinco salários. Como os cenários têm listas diferentes, essas diferenças são indicativas, não uma eleição direta entre os dois nomes.

Mapa regional combina Nordeste pró-Lula e Sul pró-Flávio

O Nordeste é o principal reduto de Lula no confronto com Flávio Bolsonaro. O presidente registra 62,7% e o senador, 24,7%. Branco ou nulo soma 6,4% e não sabe, 6,2%. A vantagem de 38 pontos é a maior diferença regional do presidente.

No Sul, ocorre o movimento oposto. Flávio Bolsonaro chega a 54,1%, Lula fica com 16,8%, branco ou nulo representa 16,4% e não sabe, 12,7%. A diferença de 37,3 pontos é a maior vantagem regional do senador. O alto percentual de brancos, nulos e indecisos — 29,1% somados como indicador de não escolha — também chama atenção e mostra que o Sul não é um bloco integralmente definido.

No Norte, Flávio tem 49,2% e Lula 33,6%, vantagem nominal de 15,6 pontos. Branco ou nulo alcança 14,1% e não sabe, 3,1%. No Centro-Oeste, a pesquisa traz uma inversão em relação a padrões históricos frequentemente associados à região: Lula aparece com 46,7% e Flávio com 38,3%. Branco ou nulo soma 6,7% e não sabe, 8,3%. Sem margens regionais específicas, o resultado deve ser tratado como estimativa da rodada.

O Sudeste apresenta o quadro mais equilibrado: Lula tem 45,5% e Flávio 43,4%, diferença de 2,1 pontos. Branco ou nulo chega a 11% e não sabe, 0,2%. A proximidade no maior colégio regional do país ajuda a explicar por que vantagens extremas no Nordeste e no Sul se compensam parcialmente na média nacional.

No cenário Lula x Michelle Bolsonaro, o Nordeste continua favorável ao presidente, com 62% contra 26,9%. Michelle lidera no Norte por 48,4% a 32,8% e no Sul por 53,2% a 17,7%. Lula aparece à frente no Centro-Oeste por 49,2% a 28,3% e no Sudeste por 45,3% a 34,8%. A maior diferença entre os dois cenários está no Centro-Oeste e no Sudeste, onde Michelle fica abaixo do desempenho de Flávio, enquanto os padrões de Norte, Nordeste e Sul permanecem semelhantes.

Regionalmente, o desafio dos dois polos é assimétrico. Lula precisa reduzir a desvantagem no Sul e no Norte sem perder a vantagem nordestina. Flávio precisa ampliar competitividade no Nordeste e entre segmentos que dão sustentação ao presidente. O Sudeste, por estar numericamente equilibrado e concentrar grande parcela do eleitorado, tende a ter papel relevante; essa conclusão é uma inferência eleitoral geral, não uma projeção de votos feita pelo instituto.

Religião produz o contraste mais acentuado

Entre católicos, Lula registra 55,2% e Flávio Bolsonaro 31,9%. Branco ou nulo soma 9% e não sabe, 3,9%. Entre evangélicos, Flávio alcança 61,1% e Lula 18,7%, com 13,7% de branco ou nulo e 6,5% de indecisos. Entre pessoas de outras religiões, Lula chega a 62,9% e Flávio a 25,7%; branco ou nulo representa 8,6% e não sabe, 2,9%.

A distância de 42,4 pontos favorável a Flávio entre evangélicos é a maior vantagem de qualquer candidato nos recortes publicados do confronto. Lula, por sua vez, abre 37,2 pontos entre pessoas de outras religiões e 23,3 entre católicos. O peso relativo de cada grupo na amostra não é informado nas páginas de cruzamento, o que impede converter diretamente essas taxas em contribuição exata para o resultado nacional.

Com Michelle Bolsonaro, a polarização religiosa se mantém e se intensifica entre evangélicos. Lula tem 55,6% entre católicos e Michelle, 27%. Entre evangélicos, Michelle chega a 63,3% e Lula, 17,7%. Em outras religiões, Lula registra 63,8% e Michelle, 19%. A ex-primeira-dama supera Flávio em 2,2 pontos entre evangélicos, mas fica abaixo dele entre católicos e outras religiões.

A pesquisa também mede aprovação de Lula por religião. Entre católicos, 57,3% aprovam e 38,5% desaprovam. Entre evangélicos, 18,5% aprovam e 76,3% desaprovam. Entre outras religiões, 67,6% aprovam e 28,6% desaprovam. A semelhança entre avaliação do governo e intenção de voto sugere forte relação entre identidade religiosa, julgamento do presidente e escolha eleitoral. Ainda assim, não é possível afirmar causalidade apenas com tabelas cruzadas.

Michelle Bolsonaro tem força própria, mas desempenho nacional inferior ao de Flávio

O cenário estimulado com Michelle Bolsonaro apresenta Lula com 40,4%, Michelle com 29,4%, Ronaldo Caiado com 7%, Romeu Zema com 4,4%, Renan Santos com 3,5%, Aécio Neves com 3,2% e Augusto Cury com 2,5%. Ninguém, branco ou nulo soma 2,6% e não sabe, 5,7%.

Na lista com Flávio Bolsonaro, Lula também tem 40,4%, Flávio chega a 32%, Caiado fica com 4%, Zema com 2,5%, Aécio e Renan com 2% cada, e os indecisos somam 9,5%. A troca do representante do campo bolsonarista não altera Lula, mas modifica a distribuição interna da oposição. Michelle perde 2,6 pontos em relação a Flávio, enquanto Caiado, Zema, Renan e Aécio crescem.

No segundo turno, Lula marca 45% contra 36% de Michelle, uma diferença de nove pontos, superior aos cinco pontos do confronto com Flávio. Branco ou nulo é de 11% e não sabe, 8%, totalizando 19% sem escolha por um dos dois. Contra Flávio, essas categorias somam 15%. O maior volume de não escolha diante de Michelle ajuda a explicar parte da diferença.

A série histórica Lula x Michelle mostra estabilidade do presidente em torno de 45% e Michelle entre 36% e 40,7% nas rodadas em que o cenário foi medido. Em janeiro, Lula tinha 46% e Michelle 37%; em fevereiro, 45% a 40,7%; no fim de maio, 46% a 40%; e em julho, 45% a 36%. O recuo de Michelle na rodada mais recente não deve ser tratado isoladamente como tendência definitiva, porque são poucos pontos de observação e as oscilações podem refletir amostragem, conjuntura e mudanças na proporção de indecisos.

Rejeição e potencial de voto reorganizam a comparação

Na rejeição múltipla, Lula tem 46,4%, Flávio Bolsonaro 43,4% e Michelle Bolsonaro 28%. A diferença sugere que Michelle possui rejeição declarada menor, mas isso não se converte automaticamente em mais votos. Rejeição menor pode coexistir com menor conhecimento, menor identificação eleitoral ou maior indefinição.

A pergunta sobre potencial de voto confirma essa diferença. Lula tem 42,5% que poderiam votar nele e 51,4% que não votariam de jeito nenhum. Flávio apresenta 39% de potencial e 49,9% de rejeição. Michelle tem 33% de potencial, 9,9% que não a conhecem, 15,6% que não sabem se votariam e 41,5% que não votariam de jeito nenhum.

Michelle, portanto, combina rejeição menor com faixa maior de desconhecimento ou dúvida. Esse é um espaço potencial de crescimento, mas também de risco: eleitores que ainda não formaram opinião podem aderir ou rejeitar a candidatura à medida que aumenta a exposição. Flávio possui maior intenção atual e menor indecisão em torno de seu nome, mas enfrenta resistência mais alta.

Ronaldo Caiado e Romeu Zema apresentam perfis ainda mais abertos. Caiado tem 16,3% de potencial de voto, 20% de desconhecimento, 14,7% de dúvida e 49% de rejeição. Zema registra 25,3% de potencial, 23,3% de desconhecimento, 16,5% de dúvida e 34,9% de rejeição. A combinação mostra que baixa intenção de voto no primeiro turno pode resultar tanto de rejeição quanto de falta de conhecimento ou consolidação nacional.

Decisão do voto convive com eleitorado ainda móvel

A pesquisa aponta que 64% dizem estar decididos e 36% admitem que o voto ainda pode mudar. A maioria decidida favorece os nomes com bases consolidadas, mas o grupo móvel é grande o suficiente para alterar o segundo turno e o desempenho dos candidatos menores.

O relatório também mede o ânimo para votar. Somam 27,4% os totalmente animados e 15,9% os parcialmente animados. Outros 23,8% se dizem nem animados nem desanimados, 8,8% parcialmente desanimados e 14,3% totalmente desanimados; 9,8% não sabem. A participação efetiva pode depender de fatores que não aparecem na intenção de voto, como mobilização, confiança no processo, interesse na campanha e percepção de competitividade.

A representação política é outro ponto sensível. A pesquisa mostra que 38,6% concordam totalmente com a frase “estou cansado da briga política” e 25,5% concordam em parte. Quase metade concorda, total ou parcialmente, que evita falar de política para não ser mal interpretada. Esses dados ajudam a contextualizar a parcela de indecisos e votos não válidos: parte do eleitorado pode estar menos disposta a se envolver publicamente na disputa, embora isso não signifique necessariamente abstenção.

Média nacional esconde eleições diferentes dentro da mesma eleição

O retrato dos segmentos permite uma conclusão central: Lula e Flávio Bolsonaro chegam ao empate técnico nacional por caminhos sociais diferentes. Lula depende mais do eleitorado feminino, de baixa renda, católico, nordestino e com 35 anos ou mais. Flávio é mais forte entre homens, jovens de 16 a 24 anos, evangélicos, rendas mais altas e moradores do Sul e do Norte.

Essa distribuição cria oportunidades e limites. Um candidato pode crescer ampliando sua presença no segmento adversário, mas também pode ganhar vantagem simplesmente mobilizando melhor a própria base. Uma diferença pequena no comparecimento das mulheres, dos evangélicos, dos jovens ou do Nordeste pode alterar a média nacional sem que haja grande conversão individual de votos.

Os dados não autorizam tratar nenhum grupo como monolítico. Mesmo entre evangélicos, Lula tem 18,7%; entre católicos, Flávio tem 31,9%. No Sul, Lula registra 16,8%; no Nordeste, Flávio alcança 24,7%. Entre mulheres, Flávio reúne 34,2%; entre homens, Lula possui 39,2%. A polarização é forte, mas nenhum campo desaparece dentro do segmento adverso.

A eleição de 2026, no retrato da Meio/Ideia, é simultaneamente nacional e fragmentada. Nacional porque dois nomes concentram a maior parte das intenções de voto. Fragmentada porque gênero, religião, renda, idade e território produzem resultados muito diferentes. Entender a disputa exige olhar para a média, mas também para os grupos que a formam — sempre lembrando que as margens das subamostras não foram publicadas no PDF e que diferenças reduzidas podem não ser estatisticamente significativas.

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