terça-feira, 22 de setembro de 2026

Governo renova cota zero para carros elétricos desmontados

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O governo federal renovou por seis meses as cotas de importação com alíquota zero para veículos eletrificados desmontados e semidesmontados, nos regimes CKD e SKD. Segundo o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Márcio Elias Rosa, a decisão busca garantir melhores preços ao consumidor e fortalecer a indústria automotiva nacional.

A medida passa a valer a partir de 1º de julho e contempla limite de US$ 463 milhões em veículos nos regimes CKD e SKD, que permitem montagem final dos automóveis no Brasil. O governo argumenta que montadoras estão se instalando no país para produzir veículos híbridos e híbridos flex, o que poderia gerar empregos e ampliar a oferta ao mercado.

A decisão, porém, ocorre em meio a críticas da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores. A Anfavea afirma que a manutenção das cotas de importação com alíquota zero pode prejudicar fabricantes já instalados no Brasil, trabalhadores e empresas nacionais de autopeças.

Ao mesmo tempo, o Comitê Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior manteve o cronograma de aumento das tarifas de importação para veículos elétricos e híbridos. Os modelos semidesmontados terão tarifa elevada para 35% a partir de julho. Já os desmontados seguirão com alíquota de 14% até o fim de 2026 e também passarão a 35% em janeiro de 2027.

A política tenta equilibrar três interesses: acesso do consumidor a veículos eletrificados, atração de novas montadoras e proteção da produção nacional. O risco é criar um ambiente de transição confuso, em que empresas disputam vantagens enquanto o consumidor ainda enfrenta preços altos e baixa infraestrutura de recarga.

A eletrificação da frota é uma tendência global, mas no Brasil ela precisa dialogar com realidade industrial, matriz energética, renda da população e capacidade de inovação local. Incentivo à importação só faz sentido se vier acompanhado de transferência tecnológica, produção nacional e empregos de qualidade.

O debate deve continuar nos próximos meses, especialmente porque o aumento das tarifas coincide com a tentativa de consolidar uma cadeia automotiva mais moderna no país.

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