A Controladoria-Geral da União prepara a entrada em operação do Informa.BR, plataforma criada para simplificar o acesso de cidadãos a informações públicas do governo federal. A ferramenta foi anunciada pela CGU durante a Semana de Governo Aberto 2026 e, segundo o órgão, deve funcionar como um ambiente integrado de busca em bases oficiais, reunindo informações do Portal da Transparência, do Portal de Dados Abertos e de pedidos já respondidos pela Lei de Acesso à Informação, a LAI.
A proposta oficial é reduzir a fragmentação hoje enfrentada por quem procura dados públicos. Atualmente, o cidadão muitas vezes precisa consultar sistemas diferentes para localizar despesas, contratos, bases abertas ou respostas anteriores a pedidos de acesso à informação. Com o Informa.BR, a CGU afirma que o usuário poderá fazer buscas em linguagem simples e receber indicações sobre onde os dados podem ser encontrados.
A plataforma deve apresentar os resultados em três frentes principais: informações do Portal da Transparência, bases disponíveis no Portal de Dados Abertos e registros de pedidos da LAI já existentes. Caso a informação procurada não esteja disponível, o cidadão poderá registrar um novo pedido de acesso no mesmo ambiente digital.
O anúncio foi feito pelo ministro da CGU, Vinicius Marques de Carvalho, durante a abertura da Semana de Governo Aberto 2026. Segundo a divulgação oficial, a unificação das buscas em uma única plataforma busca facilitar o acesso do cidadão e fortalecer a confiança nas informações públicas, nas instituições e na democracia.
Na prática, o Informa.BR representa uma tentativa de organizar a chamada transparência ativa, quando o dado já está disponível ao público, e a transparência passiva, quando o cidadão precisa solicitar formalmente uma informação ao Estado. A CGU informa que a ferramenta deve priorizar o acesso imediato a dados já publicados, evitando que o usuário abra um novo pedido de LAI quando a resposta já existe em outra base oficial.
A mudança tem potencial para melhorar a experiência do usuário, mas também impõe pontos de atenção. O primeiro é a usabilidade. A centralização só terá efeito positivo se a plataforma for acessível para pessoas com baixa familiaridade digital, pesquisadores, jornalistas, organizações sociais e cidadãos que dependem da LAI para fiscalizar políticas públicas.
Outro ponto sensível será a preservação da transparência sobre o próprio funcionamento do sistema. Indicadores como tempo médio de resposta dos órgãos, volume de pedidos, recursos apresentados e taxa de atendimento continuam sendo essenciais para avaliar a qualidade da política de acesso à informação. A CGU já mantém ferramentas de monitoramento da LAI, incluindo painéis voltados ao acompanhamento da política de transparência no Executivo Federal.
Também será necessário observar como o novo ambiente tratará dados pessoais e informações sensíveis. Em junho, a CGU e a Autoridade Nacional de Proteção de Dados abriram consulta pública sobre guia voltado à compatibilização entre transparência e proteção de dados pessoais, tema diretamente relacionado à aplicação da LAI e da Lei Geral de Proteção de Dados.
O Fala.BR, sistema usado para manifestações de ouvidoria, como denúncias, reclamações, elogios, solicitações e sugestões, permanece como canal próprio de atendimento ao cidadão. A integração anunciada pela CGU está voltada à busca e ao acesso a informações públicas, não à substituição integral dos canais de ouvidoria.
A implantação do Informa.BR será acompanhada de perto por jornalistas, entidades de controle social e organizações da sociedade civil. A promessa é de simplificação. O teste real será verificar se a nova plataforma amplia o acesso a dados públicos ou se cria novas camadas de intermediação para informações que devem permanecer abertas, rastreáveis e acessíveis.