Os pedidos de asilo no Brasil aumentaram 11% em 2025, segundo dados da Agência da ONU para Refugiados (Acnur) divulgados no contexto do Dia Mundial do Refugiado. O levantamento também aponta avanços em políticas nacionais de permanência legal, emprego, serviços essenciais e inclusão, mas alerta para a necessidade de ampliar respostas de longo prazo.
O crescimento acompanha uma tendência continental. As Américas foram, no ano passado, a principal região em deslocamento forçado, superando África Oriental e Austral e Oriente Médio. O número de refugiados nas Américas chegou a 22,8 milhões de pessoas, com predominância de venezuelanos acolhidos majoritariamente por países da América Latina e do Caribe.
O representante da Acnur no Brasil, Davide Torzilli, afirmou que mais de 117 milhões de pessoas seguem deslocadas à força no mundo, apesar de o contingente ter registrado queda pela primeira vez em mais de uma década. Ele cobrou que autoridades promovam autonomia, independência e soluções duradouras, incluindo acesso ao emprego formal, empreendedorismo, reconhecimento de qualificações e formação profissional.
No Rio de Janeiro, a data foi lembrada com a feira Rio Refugia, promovida por organizações como Abraço Cultural, Pares Cáritas RJ, Sesc RJ e Feira Chega Junto, com apoio do Acnur. A programação busca dar visibilidade à cultura, à trajetória e à contribuição social de pessoas refugiadas.
O debate é relevante para o Brasil porque acolhimento não termina com documentação. Refugiados precisam de moradia, trabalho, escola, saúde, idioma, segurança e combate à xenofobia. O país tem legislação reconhecida, mas a aplicação prática ainda encontra barreiras nos balcões de atendimento, nas escolas, no mercado de trabalho e na rede pública de saúde.
A crítica necessária é que acolher não é apenas deixar entrar. É garantir condições para recomeçar. Sem política de integração, o refúgio vira sobrevivência precária. O Brasil precisa transformar reconhecimento jurídico em inclusão real.