quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Lula cobra países ricos no G7 por desigualdade global

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva cobrou, nesta terça-feira (16), maior empenho dos países ricos no combate às desigualdades globais. A declaração foi feita durante a Cúpula do G7, em Évian, na França, onde o Brasil participou como país convidado.

No discurso, Lula afirmou que a distância entre países ricos e o chamado Sul Global não está diminuindo. Segundo ele, a economia internacional continua produzindo riqueza em abundância, mas distribuindo oportunidades de forma profundamente assimétrica.

O presidente também criticou a redução da solidariedade internacional em meio a guerras e conflitos. Ele citou que o Programa Mundial de Alimentos perdeu cerca de 40% do financiamento, enquanto a Organização Mundial da Saúde e o Unicef reduziram seus orçamentos em mais de 20%.

Lula também mencionou os gastos militares globais, que somaram quase US$ 3 trilhões por ano, e afirmou que esses recursos impactam diretamente populações de países em desenvolvimento, especialmente aquelas sem acesso adequado à alimentação, educação e saúde.

Outro ponto do discurso foi a dívida dos países em desenvolvimento. Segundo Lula, o mundo em desenvolvimento transfere US$ 1,4 trilhão por ano em serviço da dívida, valor sete vezes superior à ajuda recebida dos países ricos.

A fala recoloca o Brasil no debate sobre reforma da governança global, financiamento climático, combate à fome e desigualdade entre países. A crítica de Lula mira um sistema internacional que, na avaliação do governo brasileiro, exige responsabilidade fiscal e ajustes dos países pobres, mas mantém concentração de riqueza, poder tecnológico e decisões financeiras nos países centrais.

A crítica necessária é que discursos em cúpulas precisam produzir consequência. Cobrar os ricos é politicamente relevante, mas o Brasil também precisa mostrar coerência interna: combater desigualdade, proteger a Amazônia, financiar saúde e educação e reduzir dependência de commodities. No cenário global, autoridade moral se sustenta com discurso e prática.

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