O cruzamento dos dados de 11 pesquisas eleitorais registradas no TSE entre 1º de março e 21 de maio de 2026 revela um cenário de extrema volatilidade estatística na disputa pelo Senado no Amazonas. A análise das curvas de intenção de voto consolidadas (1º e 2º votos, base 100) aponta variações que superam em até três vezes as margens de erro declaradas, ocorrendo em intervalos de tempo inferiores a 72 horas e sem fatos políticos indexadores. O comportamento dos dados sugere que as discrepâncias decorrem de variações severas no desenho amostral e na ponderação (especialmente na distribuição entre capital e interior), e não de mudanças reais na escolha do eleitorado.
Os dois candidatos que lideram a série histórica apresentam flutuações simétricas e inversas em períodos curtos, evidenciando uma provável captura de fatias distintas do eleitorado por parte dos institutos. No dia 7 de março, a Quaest apontava Eduardo Braga na liderança com 28% contra 19% de Capitão Alberto Neto, registrando uma vantagem de 9 pontos para Braga. Apenas 72 horas depois, em 10 de março, o instituto Atlas mostrou uma inversão completa do cenário, trazendo Braga com 19% e Alberto Neto com 24%, uma oscilação estatisticamente implausível para candidatos com alto recall. Em maio, o padrão de ruptura se repetiu quando a pesquisa Comunidades, do dia 19, fixou Braga com 23% e Alberto Neto com 22%, configurando empate técnico. Dois dias depois, em 21 de maio, o instituto Veritá apontou um recuo expressivo de Alberto Neto para 15% (queda de 7 pontos, fora da margem de erro) e a subida de Braga para 25%.
Os dados atribuídos a Plínio Valério descrevem um padrão de dentes de serra, alternando quedas abruptas e recuperações integrais de patrimônio eleitoral em menos de duas semanas. Em uma janela de 16 dias em março, o candidato registrava 17% na Atlas do dia 10, oscilou para 14% na RealTime no dia 13 e sofreu uma deflação de 8 pontos na Veritá do dia 17, atingindo o piso de 6%. No levantamento seguinte, da OPP em 26 de março, o candidato retornou exatamente ao patamar de 17%, recuperando 11 pontos percentuais. Esse mesmo desenho de picos e vales voltou a ocorrer em um intervalo de 28 dias entre abril e maio, quando o candidato saiu de 7% em 23 de abril na Veritá, subiu para 14% na Census e 17% na AtlasIntel (ambas no dia 8 de maio) e recuou para 8% no dia 21 de maio na Veritá.
O candidato Marcos Rotta transita entre o patamar de dois dígitos e o limite do traço estatístico dependendo do modelo de coleta aplicado. No dia 7 de março, a Quaest registrou 11% para o candidato, mas 72 horas depois a Atlas apontou apenas 2%. Passadas mais 72 horas, no dia 13 de março, a RealTime indicou o retorno de Rotta ao patamar de 9%. Em maio, a mesma inconsistência se repetiu quando o candidato pontuou 2% na AtlasIntel no dia 8 e saltou para 9% na Comunidades no dia 19. Essas variações intermitentes indicam que os planos amostrais baseados em questionários digitais ou automatizados subdimensionaram sistematicamente segmentos específicos onde o candidato pontua nos métodos tradicionais de face a face.
A análise do vetor de eleitores indecisos revela que este grupo não segue uma tendência de convergência linear à medida que a eleição se aproxima, funcionando, na verdade, como um dreno de pontos das candidaturas de centro-direita. O instituto Veritá reportou os dois maiores volumes de indecisos de toda a série histórica, registrando 19% em 17 de março e 18% em 23 de abril. Nessas duas datas específicas, as curvas de Plínio Valério (6% e 7%) e Wilson Lima (5% e 8%) atingiram os seus pontos mais baixos. Em contrapartida, institutos com coletas em datas adjacentes, como a OPP em 26 de março e a Census em 8 de maio, fixaram o índice de indecisos em 7% e 9%, respectivamente, provocando a elevação automática das intenções de voto nominais dos candidatos concorrentes.
Os dados consolidados indicam que o eleitorado do Amazonas está sendo filtrado por metodologias concorrentes sem calibração uniforme. A oscilação simultânea de múltiplos players acima de três desvios-padrão em intervalos curtos é explicada, do ponto de vista estatístico, por três fatores técnicos principais. O primeiro é a assimetria de coleta, que gera discrepâncias severas entre pesquisas digitais e coletas domiciliares ou de fluxo. O segundo fator é a ponderação territorial, que aplica pesos significativamente diferentes para Manaus em relação aos municípios do interior do estado, locais que possuem dinâmicas políticas distintas. Por fim, o tratamento de votos combinados para uma eleição com duas vagas ao Senado amplia matematicamente qualquer distorção na captação da segunda opção do eleitor quando os dados são convertidos para a base 100.
