A corrida eleitoral para o Governo do Estado e para as duas vagas ao Senado pelo Amazonas apresenta um cenário de forte disputa e potencial de movimentação entre o eleitorado. É o que aponta a pesquisa quantitativa amostral realizada pela empresa Comunidados entre os dias 19 e 22 de maio de 2026, registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número AM-09976/2026.
Na modalidade estimulada para o Governo do Estado, em que as opções de voto são apresentadas diretamente aos eleitores, o senador Omar Aziz (PSD) aparece na liderança isolada com 32% das intenções de voto, o que representa 37,6% na projeção de votos válidos.
A disputa pela segunda vaga em um eventual segundo turno mostra-se tecnicamente acirrada entre Maria do Carmo (PL), que pontua 21% (24,9% dos válidos), e David Almeida (Avante), que registra 17% (19,9% dos válidos).
Roberto Cidade (União), atual governador eleito pela Assembleia Legislativa para o mandato tampão, aparece logo em seguida com 15% das intenções de voto (17,6% dos válidos). O total de eleitores que declararam voto branco ou nulo soma 8%, enquanto os indecisos que não souberam ou preferiram não responder alcançam 7%.
Como a pesquisa mediu apenas o cenário estimulado e não traz dados da intenção espontânea, os índices refletem a lembrança de imagem (recall) e a inclinação de momento, indicando um tabuleiro político fluido e suscetível a migrações de voto.
Do ponto de vista puramente técnico, a análise dos microdados demográficos revela linhas divisórias geográficas e sociais muito claras entre os candidatos ao governo.
Omar Aziz sustenta seu favoritismo ancorado no interior, onde atinge seu pico de 38%, impulsionado pelo eleitorado de menor escolaridade, estrato em que alcança 41% de preferência.
Em contrapartida, Maria do Carmo demonstra um perfil predominantemente urbano e de maior poder aquisitivo indireto, liderando na capital com 24% e crescendo de forma linear até atingir 29% entre eleitores com ensino superior completo.
David Almeida apresenta alta eficiência de conversão entre as mulheres (20%) e o público jovem de 16 a 24 anos, nicho onde dispara para 29%. Já Roberto Cidade exibe o desempenho geograficamente mais equilibrado do levantamento, com 17% na capital e 13% no interior, encontrando sua maior oportunidade de crescimento técnico na base popular de baixa escolaridade, onde crava seu melhor resultado isolado de 18% e concorre diretamente pelo estoque de votos do líder da pesquisa.
Eduardo Braga e Alberto Neto lideram para o Senado
A dinâmica das duas vagas em disputa para o Senado Federal acrescenta uma camada extra de volatilidade ao desenho majoritário do estado. No acumulado geral de intenções de voto (soma do primeiro e segundo votos), o senador Eduardo Braga (MDB) e o deputado Capitão Alberto Neto (PL) lideram a corrida com 45% e 44%, respectivamente, projetando 49,2% e 48,1% dos votos válidos.
Contudo, a análise isolada do segundo voto expõe uma fragmentação expressiva no eleitorado: Plínio Valério (PSDB) assume a dianteira deste segmento específico com 18%, seguido de perto por Alberto Neto (16%), Eduardo Braga (15%) e Wilson Lima (União), que registra 14%, enquanto Marcelo Ramos (PT) soma 19% e Marcos Rotta (Avante) obtém 18% no quadro geral.
Essa distribuição quase uniforme, somada ao índice de 10% de indecisos na segunda escolha, evidencia que os eleitores ainda não amarraram suas combinações de voto, tornando a definição das chapas oficiais um fator matemático decisivo para o resultado.
A intersecção entre as preferências para os cargos majoritários revela o real potencial de movimentação de forças através das matrizes de transição de palanque.
De acordo com o cruzamento de dados, o bloco governista e de direita liderado por Roberto Cidade exibe uma forte conexão ideológica interna, visto que 66% dos eleitores de Cidade declaram voto para o Senado em Capitão Alberto Neto e 47% escolhem Wilson Lima.
Como Alberto Neto detém 44% de penetração na população geral, a matemática comprova que o candidato do União Brasil está submonetizado dentro de seu próprio ecossistema e possui uma ampla massa de eleitores alinhados ao seu campo político para tentar converter ao longo da campanha.
Por outro lado, o bloco de situação federal apresenta maior rigidez e blindagem técnica, com 89% dos eleitores de Omar Aziz fechando o voto simultaneamente com Eduardo Braga, consolidando uma base compacta que eleva o piso de partida daquela aliança e desafia a capacidade de infiltração da oposição.
Sobre a pesquisa
A pesquisa foi realizada por meio de entrevistas telefônicas assistidas por computador (CATI) com o uso de Discagem Aleatória de Dígitos (RDD), o levantamento ouviu 1.200 eleitores de 16 anos ou mais nos 21 maiores municípios do estado.
Conduzida pelo estatístico responsável Felicien Gonçalves Vasquez (CONRE 7.760), a pesquisa foi contratada pela empresa Jenav Serviços Empresariais e Comércio de Produtos Alimentícios Ltda. pelo valor de R$ 25.000,00, apresentando uma margem de erro média de 2,8 pontos percentuais para mais ou para menos e um nível de confiança de 95%.
Para refletir com precisão o eleitorado amazonense, a amostra passou por um processo de ponderação estatística (rake) baseado nos dados de março de 2026 do TSE e da PNAD Contínua do IBGE. A composição demográfica final do levantamento foi estruturada com 52% de entrevistados do sexo feminino e 48% do masculino, divididos em equilíbrio exato entre a capital, Manaus (52%), e o interior do estado (48%).
No quesito idade, os grupos de 25 a 34 anos e de 35 a 44 anos representam, cada um, 23% da amostra, seguidos por 45 a 59 anos (21%), jovens de 16 a 24 anos (17%) e idosos com mais de 60 anos (15%). Quanto à escolaridade, a maior parcela possui Ensino Médio Completo ou Superior Incompleto (40%), enquanto 26% se enquadram em Analfabeto, Lê e escreve ou Fundamental Incompleto, 25% têm Fundamental Completo ou Médio Incompleto e 9% completaram o Ensino Superior. Na condição de ocupação, 57% dos entrevistados declararam estar ocupados e 43% desocupados ou fora da força de trabalho.
Confira a pesquisa completa: