O Ministério Público Federal determinou vistorias e perícias para apurar possível contaminação no igarapé Jacutinga e nos rios Tiaraju e Alalaú, na Terra Indígena Waimiri Atroari, em Presidente Figueiredo, no Amazonas. A investigação foi aberta após relatos de lideranças indígenas sobre alteração da água, morte de fauna local e possíveis impactos à saúde da comunidade.
Segundo os relatos apresentados ao MPF, comunidades da Associação Comunidade Waimiri Atroari apontaram que o transbordo de resíduos de atividade minerária ocorreria de forma recorrente em períodos de chuva. As lideranças relataram mudança na cor e no sabor da água, além da presença de peixes, peixes-boi e quelônios mortos. Também foram citados problemas de pele e alergias entre moradores que tiveram contato com os rios.
A apuração envolve a Mineração Taboca S.A. como possível fonte poluidora da região. O MPF requisitou à Agência Nacional de Mineração uma vistoria técnica na empresa, com acompanhamento de lideranças indicadas pela comunidade. A Polícia Federal também foi acionada para realizar análise da qualidade da água e produzir laudo pericial.
O Ibama recebeu requisição para adotar medidas de fiscalização ambiental, incluindo autos de infração se houver confirmação de ilícito. A Funai também participou das tratativas, ao lado de representantes da Frente de Proteção Etnoambiental Waimiri-Atroari.
O caso expõe um conflito recorrente na Amazônia: a pressão de empreendimentos minerais sobre rios, terras indígenas e comunidades tradicionais. A água é elemento central para alimentação, saúde, deslocamento e reprodução cultural dos povos indígenas. Qualquer risco de contaminação exige resposta técnica rápida e independente.
A Mineração Taboca foi notificada a se manifestar e apresentar informações técnicas sobre a regularidade da operação. O MPF informou que dará prioridade ao procedimento diante da urgência socioambiental.
A investigação precisa ser acompanhada com transparência. Mais do que apontar responsabilidades, o caso exige medidas de proteção imediata às comunidades, monitoramento contínuo da água e fiscalização efetiva sobre atividades econômicas em áreas sensíveis.