Duas pesquisas divulgadas na mesma semana sobre a disputa pelo Governo do Amazonas em 2026 revelam diferenças significativas nos resultados, levantando questionamentos sobre metodologia e interpretação dos dados.
O levantamento da Realtime Big Data, realizado entre os dias 17 e 18 de março com 1.500 entrevistas, aponta liderança isolada do senador Omar Aziz (PSD), com 39% das intenções de voto no cenário estimulado. Maria do Carmo Seffair (PL) aparece com 27%, seguida por David Almeida (Avante), com 22%.
Já a pesquisa AtlasIntel, conduzida entre 11 e 15 de março com 1.138 respondentes por meio de recrutamento digital, apresenta um cenário distinto. Maria do Carmo lidera com 41,8%, seguida de perto por Omar Aziz, com 40,4%, enquanto David Almeida registra apenas 9,9%.
Diferenças ultrapassam margem de erro
A discrepância entre os levantamentos vai além das margens de erro declaradas — de dois pontos percentuais na Realtime e três pontos na Atlas. O caso mais evidente é o desempenho de David Almeida, que varia de 22% em uma pesquisa para menos de 10% na outra, uma diferença superior a 12 pontos percentuais.
Também há inversão de liderança. Enquanto a Realtime indica vantagem confortável de Omar Aziz, a Atlas aponta empate técnico com leve vantagem para Maria do Carmo.
Segundo turno reforça divergência
As divergências se repetem nas simulações de segundo turno. Na pesquisa Realtime, Omar Aziz venceria Maria do Carmo por 44% a 37%. Na AtlasIntel, o cenário se inverte: Maria do Carmo aparece numericamente à frente, com 45,3% contra 44,9% de Omar Aziz, dentro de empate técnico.
Nível de indecisão também varia
Outro ponto de contraste está no grau de definição do eleitorado. Na pesquisa espontânea da Realtime, 63% dos entrevistados não souberam ou não responderam em quem votariam, indicando baixa consolidação do voto.
Na Atlas, o índice de indecisos é significativamente menor, chegando a 1,7% em cenário estimulado, o que sugere um eleitorado mais definido.
Metodologias distintas
As diferenças podem estar relacionadas aos métodos de coleta. A Realtime utiliza entrevistas diretas com eleitores, enquanto a Atlas adota recrutamento digital aleatório (RDR), com participação de usuários durante navegação na internet.
Segundo a Atlas, o modelo busca reduzir vieses de interação humana e permitir maior anonimato nas respostas.
Cenário ainda indefinido
Apesar das divergências, ambas as pesquisas indicam que a disputa permanece aberta. A presença de altos índices de rejeição, somada à volatilidade dos números, sugere que o cenário eleitoral ainda está em formação e sujeito a mudanças ao longo dos próximos meses.
A coexistência de resultados tão distintos reforça a necessidade de análise cautelosa dos levantamentos e de acompanhamento contínuo da evolução do quadro eleitoral no estado.