Além da CPMI do INSS, o Congresso Nacional acumula uma série de requerimentos para criação de novas Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs) que aguardam instalação na Câmara dos Deputados e no Senado. A Constituição permite a abertura dessas comissões quando há apoio mínimo de parlamentares e definição de fato determinado, mas o regimento interno limita o número de CPIs simultâneas em funcionamento.
Hoje, diversos pedidos aguardam decisão da Mesa Diretora da Câmara, criando uma fila de investigações parlamentares que podem avançar ao longo de 2026, especialmente no primeiro semestre, antes do início do período eleitoral.
Entre os requerimentos mais discutidos nos bastidores está a proposta de uma CPI ou CPMI para investigar operações financeiras envolvendo o Banco Master e fundos de investimento ligados ao mercado de crédito estruturado. Parlamentares que defendem a investigação afirmam que a comissão poderia examinar a relação entre operações financeiras, fundos de pensão e eventuais impactos sobre investidores institucionais.
Outro tema que tem mobilizado parlamentares é a investigação sobre crime organizado e facções criminosas, com foco na estrutura de financiamento dessas organizações e nas conexões entre redes criminosas e atividades econômicas formais. A proposta de criação de uma CPI dedicada a esse tema conta com apoio de parlamentares de diferentes partidos e reflete a crescente preocupação com o avanço das organizações criminosas no país.
Também circula no Congresso a possibilidade de novas investigações sobre o mercado de apostas esportivas online, popularmente conhecido como “bets”. O setor cresceu rapidamente no Brasil nos últimos anos e passou a movimentar volumes bilionários de recursos. Parlamentares defendem que uma nova CPI poderia examinar aspectos como tributação, publicidade direcionada a jovens e possíveis impactos sociais do aumento das apostas digitais.
Outra proposta discutida envolve a criação de uma comissão voltada para investigar a atuação de organizações não governamentais na Amazônia, tema que aparece recorrentemente no debate político e que pode voltar à pauta legislativa.
O avanço dessas CPIs depende de decisões da presidência da Câmara e do Senado, já que o regimento limita a cinco o número de comissões de inquérito em funcionamento simultaneamente. Em períodos de intensa disputa política, a escolha de quais investigações serão instaladas torna-se parte da própria dinâmica de negociação entre governo e oposição.
Historicamente, CPIs costumam ganhar maior visibilidade quando convocam autoridades, empresários ou representantes de instituições públicas para prestar depoimento. Os relatórios finais dessas comissões podem recomendar mudanças legislativas e encaminhar conclusões a órgãos de investigação, embora não tenham poder direto de julgamento.
Analistas do processo legislativo observam que o primeiro semestre de anos eleitorais costuma concentrar a abertura de CPIs, já que o calendário político tende a reduzir a atividade do Congresso a partir do segundo semestre. Por isso, há expectativa de que novas comissões sejam instaladas ainda em 2026, ampliando o número de investigações parlamentares em andamento.
Se confirmadas, essas investigações devem colocar temas como sistema financeiro, segurança pública e regulação do mercado digital no centro do debate político nacional nos próximos meses.