O Congresso Nacional retoma as atividades nesta semana de 23 a 27 de fevereiro de 2026 em meio a um ambiente de alta voltagem política, onde as articulações para o pleito de outubro ditam o ritmo das votações. O foco central das atenções divide-se entre a contenção de danos causada por escândalos financeiros e a aceleração de pautas que, embora populares, impõem desafios técnicos e fiscais significativos para a economia.
Um dos pontos de maior tensão é o desdobramento das investigações sobre o Banco Master. Após a decretação da liquidação extrajudicial da instituição em novembro passado, a CPMI do INSS – que apura fraudes bilionárias envolvendo descontos indevidos em aposentadorias – viu sua estratégia de interrogatório sofrer um revés significativo. O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, atendeu a um pedido da defesa de Daniel Vorcaro e tornou facultativo o seu comparecimento à comissão, que estava agendado para esta segunda-feira.
A decisão, fundamentada no direito constitucional à não autoincriminação, também impôs condições rígidas para um eventual deslocamento do banqueiro, proibindo o uso de sua aeronave particular. Embora a ausência de Vorcaro seja vista como um obstáculo pela oposição, o mesmo despacho do ministro garantiu à CPMI o acesso integral aos documentos sigilosos do investigado, o que, segundo o relator da comissão, o deputado Alfredo Gaspar (União-AL), é um passo crucial para mapear a extensão das fraudes, estimadas em até R$ 17 bilhões pela Polícia Federal no âmbito da Operação Compliance Zero.
Paralelamente às investigações, o Legislativo enfrenta o desafio de conciliar a pressão das redes sociais pela extinção da escala 6×1 com a realidade operacional do setor produtivo. A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que altera o modelo para 5×2, mantendo uma carga horária reduzida, avançou nas comissões do Senado, mas a tramitação na Câmara é vista como o verdadeiro campo de testes para a viabilidade do projeto. Dados recentes do FGV-Ibre e do Ipea indicam que uma redução abrupta para 36 horas semanais, sem medidas compensatórias, poderia impactar negativamente o PIB em até 6,2%, elevando o custo da hora trabalhada em mais de 20%.
Diante desses números, a liderança do governo e a presidência da Câmara buscam agora um caminho do meio: a proposta de um escalonamento de longo prazo – que pode chegar a seis anos – e a possibilidade de fixar a jornada em 40 horas semanais em vez de 36. O objetivo é evitar que a medida gere um choque inflacionário imediato ou provoque demissões em massa no setor de serviços, que é o mais intensivo em mão de obra e, consequentemente, o mais vulnerável a mudanças bruscas no regime de trabalho.
Enquanto a pauta laboral e a investigação do Master dominam os debates, a cúpula do Congresso também trabalha na “agenda de entregas” prioritárias para a imagem do governo. A recente sanção do programa Gás do Povo, que garante auxílio permanente a 15 milhões de famílias, serve como o principal ativo de marketing político para o primeiro semestre de 2026. A estratégia, desenhada pelas presidências das duas Casas, é clara: manter a estabilidade institucional através do controle de fluxo de projetos polêmicos, garantindo que o Legislativo chegue ao período eleitoral com indicadores macroeconômicos sob controle, como a inflação projetada em 3,95%, e um conjunto de benefícios sociais que permitam ao governo sustentar um discurso de estabilidade e avanço social frente ao eleitorado.