quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Comércio do Amazonas vê 2026 como teste para competitividade e crescimento

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rua comercial de Manaus
(Marcelo Camargo/Agência Brasil)

O comércio do Amazonas chega a 2026 diante de um cenário que combina expectativa de melhora com riscos estruturais que ainda limitam a competitividade do setor.

As avaliações da Associação Comercial do Amazonas (ACA-AM) e da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Amazonas (Fecomércio-AM) apontam que o próximo ano será decisivo, especialmente por causa da Reforma Tributária, do custo do crédito e das dificuldades logísticas históricas do estado.

Para o presidente da ACA-AM, Bruno Loureiro Pinheiro, a atenção agora precisa estar concentrada na aplicação prática da reforma. Segundo ele, “2026 será um ano decisivo para consolidar ou comprometer a competitividade do comércio amazonense”.

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O dirigente ressalta que, embora a lei tenha sido aprovada, o risco está na execução, que precisa garantir segurança jurídica e a preservação efetiva da Zona Franca de Manaus.

Além do debate tributário, a ACA-AM aponta entraves no ambiente de negócios. Loureiro defende menos burocracia, mais previsibilidade e custos operacionais compatíveis com a realidade regional, fatores considerados essenciais para que o comércio consiga competir em condições mais equilibradas com outros estados.

Juros elevados, consumo e transição tributária

Na avaliação da Fecomércio-AM, há sinais positivos no curto prazo, puxados pelo fim de ano. O presidente da federação, Aderson Frota, afirma que “nos últimos dois meses, o comércio começou a apresentar um desempenho mais favorável”, impulsionado principalmente pelas vendas da Black Friday e por um fôlego maior do consumidor.

Apesar disso, Frota destaca que 2025 foi marcado por fortes dificuldades. Segundo ele, os juros elevados criaram barreiras tanto para as empresas quanto para os consumidores.

“A taxa Selic criou entraves muito grandes, encareceu o crédito e acabou inviabilizando muitos consumidores”, afirma, ao lembrar o alto nível de endividamento das famílias e a perda de acesso ao crédito.

A expectativa da Fecomércio-AM é que o cenário comece a mudar em 2026, com a possibilidade de redução gradual dos juros. Para Frota, “a expectativa é que o Banco Central vá aos poucos baixando a taxa Selic, criando um ambiente mais propício ao desempenho das empresas”.

Outro ponto destacado pelas entidades é o próprio calendário do próximo ano. Ano político, com Copa do Mundo e maior concentração de feriados nos fins de semana, 2026 tende a beneficiar setores como turismo, mas pode provocar paralisações e oscilações em outras áreas do comércio e dos serviços.

Além disso, o início do processo de implantação da Reforma Tributária deve exigir atenção redobrada das empresas. Frota observa que o país viverá um período de transição prolongado, com a convivência entre dois sistemas tributários por vários anos, o que aumenta a complexidade operacional para o setor.

No balanço final, ACA-AM e Fecomércio-AM convergem ao avaliar que 2026 exigirá atuação institucional firme, acompanhamento rigoroso da reforma, melhora no ambiente de negócios e condições mais equilibradas de crédito.

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