quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Com 38 ministérios, governo Lula soma mais de 50 mil cargos comissionados

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Lula (Foto: © Valter Campanato/Agência Brasil)

O governo do presidente Lula alcançou, agora em novembro de 2025, o maior número de cargos comissionados já registrado na administração pública federal. Ao todo, são 50,7 mil funções de confiança, após a criação de cerca de 4,4 mil novos cargos desde o início da gestão, em janeiro de 2023.

Os dados constam em levantamento do Farol da Oposição, do Instituto Teotônio Vilela, ligado ao PSDB, e foram confirmados no Painel Estatístico de Pessoal do Ministério da Gestão e Inovação em Serviços Públicos (MGI).

Os cargos comissionados são de livre nomeação e exoneração e envolvem funções de direção, chefia e assessoramento, ocupadas por servidores concursados e também por pessoas de fora do serviço público.

Atualmente, o governo federal conta com 38 ministérios, número superior ao da gestão anterior, que terminou com 23 pastas.

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Segundo o Palácio do Planalto, o aumento de cargos está ligado à reorganização administrativa feita no início do mandato, com a recriação e o desmembramento de ministérios.

Embora o governo afirme que não houve criação de novas despesas, os gastos com o funcionalismo cresceram de forma significativa.

As despesas passaram de R$ 369,2 bilhões em 2022 para R$ 444,7 bilhões em 2025, com previsão de chegar a R$ 489,5 bilhões no próximo ano. Parte desse aumento se deve a reajustes salariais, novas contratações e à retomada de concursos públicos.

Os salários dos cargos comissionados também estão em alta. Atualmente, o valor máximo pode chegar a cerca de R$ 24,7 mil, com previsão de aumento para quase R$ 32 mil a partir de abril de 2026, conforme reajustes já aprovados em lei.

Onde estão os cargos

Mais da metade dos cargos comissionados está concentrada na administração direta, como ministérios e órgãos ligados à Presidência da República.

Entre as instituições com maior número de funções de confiança estão o INSS, o Ministério da Fazenda, a Polícia Federal, o Ministério da Gestão, o IBGE, o Ministério da Saúde e a própria Presidência.

As pastas que mais ampliaram o número de cargos entre o fim do governo Jair Bolsonaro e o início do governo Lula foram os ministérios da Fazenda, da Gestão, da Agricultura e do Trabalho e Emprego, além de áreas que passaram por desmembramento ou foram recriadas.

Para especialistas, o problema vai além da quantidade e passa pela falta de critérios rígidos na escolha e avaliação dos ocupantes.

Pesquisadores da área destacam que, apesar de existirem regras legais que exigem qualificação e reputação ilibada, essas normas nem sempre são seguidas na prática. Há também críticas à desigualdade salarial entre servidores de carreiras diferentes que exercem as mesmas funções de gestão.

Por outro lado, analistas reconhecem avanços recentes, como a exigência de que a maioria dos cargos de confiança seja ocupada por servidores concursados e a adoção de políticas de diversidade.

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