quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Cinco anos de espera: o vazio deixado pelo Hospital Dia e as promessas de saúde em Manaus

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O calendário aponta para o fechamento de 2025, mas para milhares de manauaras que aguardam por uma cirurgia eletiva, o tempo parece ter parado em dezembro de 2023.

Prestes a completar o primeiro ano de seu segundo mandato — o quinto à frente da capital — o prefeito David Almeida (Avante) chega ao final de mais um ciclo sem entregar o Hospital Dia, a unidade que foi apresentada como a “redenção” da saúde municipal, mas que hoje é o símbolo máximo da lentidão governamental.

O cronograma do descaso

Anunciado oficialmente com pompa e vídeos em redes sociais há exatos dois anos, o Hospital Dia nasceu com a promessa de realizar cirurgias de pequena e média complexidade, desafogando a saturada rede estadual.

O investimento anunciado de R$ 15 milhões deveria ter se transformado em canteiro de obras ainda em 2024.
Contudo, o que se viu em 2025 foi uma sucessão de silêncios e readequações.

Após o anúncio eleitoral de julho de 2024 — que prometia o início dos trabalhos para outubro daquele ano — a obra não decolou.

A dois dias de encerrar o quinto ano de gestão, a estrutura física é inexistente, e a dependência de Manaus em relação ao sistema estadual e a contratos terceirizados permanece intacta.

A “Saúde do Homem” ficou no papel

O Hospital Dia não é uma falha isolada. No retrovisor da gestão, a Unidade Móvel de Saúde do Homem, prometida ainda na campanha de 2020, completa meia década como uma “promessa fantasma”.

O projeto, que visava levar prevenção à população masculina nas comunidades mais isoladas, nunca saiu do plano de governo.

Print do Plano de Governo 2025/2028 de David Almeida, registrado na Justiça Eleitoral

Enquanto a prefeitura celebra reformas estéticas em Unidades Básicas de Saúde (UBS), a resolutividade — a capacidade de resolver o problema do paciente além da consulta inicial — continua sendo o maior gargalo da capital.

Diagnóstico de uma crise de execução

Para especialistas e para a população, o cenário é de frustração.

“O problema não é a falta de dinheiro, mas a prioridade da execução”, resume o sentimento das ruas.

Manaus opera com orçamentos bilionários, mas a transição da Atenção Básica para a Média Complexidade falhou.

A ausência do Hospital Dia impõe um custo invisível: o agravamento de quadros clínicos de pacientes que, cansados de esperar por uma cirurgia simples de hérnia ou vesícula na rede municipal, acabam superlotando as urgências e emergências dos prontos-socorros estaduais.

O que esperar de 2026?

Com a entrada no sexto ano de administração, a pressão sobre a Secretaria Municipal de Saúde (Semsa) deve atingir o ápice.

Sem o Hospital Dia e sem as unidades móveis prometidas há cinco anos, a gestão David Almeida corre o risco de deixar como principal legado na saúde não as soluções estruturais, mas um extenso arquivo de projetos que não resistiram ao teste da realidade.

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