As recentes falhas na operação da roda-gigante da Ponta Negra desencadearam uma onda de críticas vindas de vereadores da Câmara Municipal de Manaus na sessão plenária desta segunda-feira (24/11). Parlamentares como Sargento Salazar (PL), Zé Ricardo (PT) e Rodrigo Guedes (Progressistas) aproveitaram o episódio para questionar a gestão da Prefeitura de David Almeida, levantar suspeitas sobre licenciamento, segurança e transparência, e anunciar medidas legais junto aos órgãos de controle.
O vereador Sargento Salazar (PL) reagiu de forma contundente após ser insultado pelo prefeito na sequência da paralisação do equipamento. Em vídeo publicado nas redes sociais, ele ironizou a acusação, devolvendo o tom agressivo: sugeriu que David Almeida teria tido um “surto” durante a crise, disse que ele estava “descontrolado” e o acusou de transformar a falha em um espetáculo midiático.
Mas a provocação de Salazar foi além das redes: ele afirmou que acionará o Ministério Público e o Tribunal de Contas para investigar possíveis irregularidades na instalação elétrica e na operação da roda-gigante, denunciando risco à segurança pública.
Por sua vez, o vereador Zé Ricardo (PT) usou sua conta no X (antigo Twitter) para manifestar indignação com o episódio. Ele afirmou que a roda-gigante apresentou “instalações elétricas precárias” e questionou por que não há gerador de energia, apontando para uma suposta falta de preparo técnico da Prefeitura para evitar falhas graves.
Zé Ricardo classificou a paralisação como um episódio de risco real para as pessoas que ficaram presas nas cabines e cobrou explicações mais concretas da administração municipal sobre a segurança estrutural do brinquedo, inclusive apresentando um Requerimento na Casa Legislativa exigindo que a gestão municipal apresente as explicações necessárias.
Já o vereador Rodrigo Guedes (Progressistas) também entrou no debate. Em post nas redes sociais, ele acusou a Prefeitura de “presentear uma empresa amiga” com uma concessão pouco transparente para operar a roda-gigante. Guedes disse que a instalação e o funcionamento da atração devem ser investigados, sugerindo que há vinculações políticas e empresariais nebulosas por trás da autorização municipal.
Além disso, Guedes reforça um tema recorrente de sua atuação: a precariedade da rede elétrica. Ele já havia defendido a implantação de fiação subterrânea em pontos estratégicos de Manaus, justamente para evitar riscos como curto-circuitos e incêndios.
Discussão longe do fim
A base do discurso coletivo dos vereadores críticos é a desconfiança sobre a regularidade do projeto da roda-gigante: enquanto a Prefeitura afirma que o equipamento foi instalado com todos os laudos técnicos, conexão legal de energia e licença administrativa, os parlamentares veem ali uma combinação perigosa de improviso, favorecimento político e falta de controle.
Essa divergência alimenta uma narrativa forte de que a gestão do prefeito Almeida priorizou a imagem turística da atração em detrimento da segurança e da transparência.
Os discursos parlamentares traduzem ações concretas: Salazar já prometeu formalizar denúncias junto ao Ministério Público e ao Tribunal de Contas, enquanto Guedes e Zé Ricardo exigem apuração técnica e prestação de contas imediata da administração. Para eles, o episódio da roda-gigante não é apenas um incidente técnico, mas um sintoma de uma gestão pública que negligencia o interesse público e aposta em aparatos grandiosos sem garantir a infraestrutura necessária.
O embate deve se intensificar nas próximas sessões da Câmara, assim como nos canais judiciais e de controle externo: a roda-gigante, uma promessa de atração de lazer e turismo para a cidade, pode se tornar um grande teste para a credibilidade e transparência da Prefeitura de Manaus.
Ida de Amauri Gomes à Ponta Negra deu ‘start’ nas investigações
A participação do vereador suplente Amauri Gomes (União Brasil) no episódio sobre a roda-gigante ampliou a crise política em torno do assunto.
No sábado (22/11), quando o equipamento apresentou pane elétrica, deixando dezenas de pessoas presas nas cabines, Amauri foi conduzido ao 19º Distrito Integrado de Polícia (DIP), que abriu investigação para apurar um possível caso de sabotagem. A Prefeitura de Manaus o acusa preliminarmente por colocar a vida de terceiros em perigo e por falsa comunicação de crime.
Amauri nega as acusações e diz que jamais manipulou a rede elétrica do brinquedo. Ele também registrou um Boletim de Ocorrência contra a Prefeitura por calúnia, devido ao indiciamento.