Entre os meses de janeiro a agosto deste ano, 162 pessoas perderam a vida no trânsito de Manaus. O número já ultrapassa os registros dos três últimos anos anteriores, inclusive o de 2018, que detinha a maior marca até então, de 160 mortes. Os dados foram repassados na coletiva do Departamento Estadual de Trânsito do Amazonas (Detran-AM) que, hoje (31), anunciou medidas para que os acidentes automobilísticos na cidade sejam reduzidos.

Para o diretor-presidente do Detran-AM, Rodrigo de Sá, no entanto, há chances de que o número seja fechado em nível de estabilidade se comparado aos últimos três anos caso haja a soma do trabalho dos órgãos de trânsito com a conscientização das população em geral.
“Se a gente intensificar o trabalho e a população se conscientizxar da sua responsabilidade por um trânsito mais seguro, conseguiremos fechar o ano com números na média dos últimos três anos”, garantiu Rodrigo, anunciando que dentre as medidas está a intensificação das fiscalizações em vias de grande fluxo como as avenidas Cosme Ferreira, Autaz Mirim, Itaúba, Tefé, Rodrigo Otávio, Coronel Teixeira, rodovia AM-010, entre outras.
Rodrigo de Sá pontuou que, mesmo diante do cenário negativo, é preciso “dar a cara a tapa” e mostrar que há integração entre os órgãos. Ele pediu, além do apoio da população, que Batalhão de Policiamento de Trânsito (BPTran) da Polícia Militar, o Núcleo Especializado em Operações de Trânsito (Neot) e o Instituto Municipal de Mobilidade Urbana (IMMU) mostrem protagonismo neste momento mesmo diante das dificuldades em relação ao recurso humano que enfrentam.
“Sofremos com a falta de pessoal. É uma demanda histórica que tanto o governador quanto o prefeito estão tentando suprir, mas isso não se faz da noite pro dia. Mesmo assim estamos nos empenhando de acordo com a nossa capacidade porque é humanamente impossível estarmos em todos os pontos da cidade, não temos capilaridade para isso, para estarmos nas ruas combatendo alcoolemia, excesso de velocidade e infrações que levem as pessoas a óbitos”, disse o diretor-presidente do Detran-AM.
‘Fenômeno pós-pandemia’
Rodrigo de Sá relacionou o aumento no número de acidentes de trânsito no último mês com o que ele caracterizou como “fenômeno pós-pandemia”. Para ele, a euforia da população tem ceifado vidas.
“É um fenômeno que estamos vivendo e é preocupante. São pessoas açodadas, apressadas, psicologicamente abaladas com alguma coisa (…) E temos visto isso na condução dos veículos automotores e achamos que isso tem a ver com a afã de voltar a vida ao normal”, comentou de Sá, destacando ainda que 90% dos acidentes de trânsito são causadas por ação ou omissão humana.
Texto: Rosianne Couto
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