Uma pesquisa nacional mostra que 89% dos brasileiros consideram as mudanças climáticas uma ameaça real ao país, mas só 30% sabem como agir em situações de risco, como enchentes e secas. O estudo também aponta que metade da população nunca ouviu o termo adaptação climática.
A pesquisa encomendada pelo Instituto Clima e Sociedade (iCS) ao Ipsos-Ipec, realizada entre 8 e 14 de outubro com 2.480 entrevistados, revela que 56% acreditam que clima e meio ambiente terão peso na escolha de candidatos nas eleições de 2026.
Ainda assim, apenas 35% afirmam já ter votado em propostas ambientais e somente 14% colocam o tema entre suas prioridades.
Embora seis em cada dez brasileiros tenham alterado algum hábito no último ano, 43% não mudaram comportamento algum.
A falta de informação aparece como principal barreira para adaptação aos impactos do clima, citada por 29%, superando a falta de recursos financeiros, mencionada por 24%.
Cidades despreparadas
O estudo mostra que 83% avaliam que o país e seus municípios não estão prontos para enfrentar eventos extremos. Além disso, 95% defendem que suas cidades criem planos de emergência, um consenso presente em todas as regiões.
A desinformação é maior no Nordeste. As regiões Sul e Sudeste concentram os maiores índices de conhecimento sobre adaptação climática. Um terço da população afirma ter sido afetada por eventos extremos, com maior incidência no Sul.
Amazônia é prioridade
Para 52% dos entrevistados, a Amazônia é o bioma que mais demanda proteção. O índice chega a 63% entre moradores da região Norte. Em seguida aparecem a Mata Atlântica (16%), Pantanal (12%), Caatinga (7%) e Cerrado (5%).
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Entre os efeitos climáticos apontados como mais preocupantes estão alagamentos, enchentes e inundações. Seca e falta de água são vistos como fenômenos que podem impactar com maior frequência a rotina das famílias. 91% concordam que as populações mais pobres e periféricas são as mais atingidas.
Mudanças individuais avançam lentamente
As ações mais comuns relatadas pelos entrevistados no último ano incluem redução no consumo de água (27%), economia de energia (24%) e separação do lixo para reciclagem (22%).
Apenas 11% diminuíram o uso de plástico descartável e 6% passaram a consumir menos produtos novos ou carne.
Quando perguntados sobre o que estariam dispostos a fazer, 49% afirmam que poderiam reciclar o lixo, 33% reduziriam o consumo de energia e 23% utilizariam transporte público, bicicleta ou caminhariam.
Votar em candidatos comprometidos com a agenda ambiental aparece em 22% das respostas.
Atenção ao tema é crescente
A diretora programática do iCS, Thais Ferraz, avalia que o país demonstra atenção crescente ao tema. “Os dados mostram que há compreensão sobre a gravidade da crise climática, mas falta informação e condições práticas para agir. O desafio é transformar preocupação em ação coletiva com governos, empresas e cidadãos.”
Patricia Pavanelli, diretora de Opinião Pública e Política da Ipsos-Ipec aponta para a necessidade de ações concretas. “A maior parte dos brasileiros sente que sua cidade está despreparada para eventos extremos. A demanda por segurança e planejamento é evidente, e a adaptação precisa ser traduzida em ações concretas no território onde as pessoas vivem.”
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