domingo, 1 de novembro de 2026

A famigerada criação de expectativas

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Doutor e Mestre em Engenharia de Produção pela USP com pós-graduação em Marketing pela ESPM. Consultor nas áreas de Gestão de Projetos, Gestão da Inovação, Gestão do Conhecimento, Capital Intelectual, Gestão de Pessoas e Lições Aprendidas.

Expectativas são compromissos tácitos que compactuamos com nós mesmos.

Construídas por conta de desejos e anseios.

Ninguém consegue impô-las sobre quem quer que seja.

Dentro de nossa mente elas se formam de maneira sorrateira.

Ao crermos conhecer o ambiente e as pessoas que nos cercam.

Passamos a prever qual será o próximo passo.

Tem a ver com vontade.

Mas também com uma equivocada ilusão.

Não temos rigorosamente qualquer controle sobre as pessoas.

Podemos até acreditar em linhas de conduta e crenças morais.

Ao extremo imaginar comportamentos e certos procedimentos.

Mas derradeiramente não nos cabe criar expectativas.

Sejam elas positivas ou não.

Os atos de outrem são baseados em decisões pessoais que não estão sob nosso controle.

Melhor que assim seja.

O livre arbítrio de cada um sempre precisa estar presente.

Não significa dizer que não possamos confiar nos outros.

Mas que sejamos um pouco mais criteriosos quanto a isso.

Sim, há pessoas por quem eu coloco a minha mão no fogo.

Diante disso, temo a dizer que já a queimei algumas vezes.

Foram lições aprendidas.

Mas não seria justo com outras tantas pessoas, manter um ar de desconfiança.

Seria dar muito crédito a quem nos frustrou.

Minha mão poderá ser queimada outras vezes.

Que tomemos tenência quanto a isso.

Frustração é remédio contra o déficit de atenção.

Confio em algumas pessoas quanto a certos comportamentos éticos.

Comungo de muitos valores morais com tantas delas.

Mas esperar determinado comportamento vai muito além do que isso.

É como que enclausurar alguém diante ações previstas unicamente por nós mesmos.

Quanta arrogância.

Também sofrimento.

Não carece.

Ao criarmos expectativa sobre alguém, colocamos pescoços sob guilhotinas.

Se correspondidas, não foi feito nada mais do que a obrigação.

Escaparemos vivos.

Quando não, perdemos as cabeças.

Continuarei confiando no próximo.

Melhor viver dessa forma.

Sem alimentar frustrações tão pouco iras de decepção.

Como diria Charles M. Schulz, criador dos personagens Snoopy e Charlie Brown.

Em diálogo, Charlie Brown fala para seu cão: “Algum dia todos nós iremos morrer”

Snoopy o responde: “Verdade, mas todos os outros dias não”.

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