A “taxa das blusinhas” está mudando o comportamento de consumo dos brasileiros. Segundo a pesquisa Retratos do Brasil, divulgada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), o número de pessoas que desistiram de comprar em sites internacionais saltou de 13% para 38% após a cobrança do Imposto de Importação sobre compras de até US$ 50.
O levantamento, feito pela Nexus a pedido da CNI, compara os hábitos de consumo de maio de 2024 e outubro de 2025.
De acordo com o superintendente de Economia da CNI, Márcio Guerra, o impacto da taxação é positivo para a indústria nacional, que enfrenta desvantagens em relação a outros países.
“A medida busca mais justiça e competitividade para o setor, embora ainda estejamos longe do equilíbrio, já que outros países têm cargas menores”, afirmou.
📲 Participe do canal do RealTime1 no Instagram
Entre os grupos mais afetados pela nova tributação, a desistência é maior entre pessoas com ensino superior (51%), jovens de 16 a 40 anos (46%) e consumidores com renda acima de cinco salários mínimos (45%). No Nordeste, o índice chega a 42%.
Com o aumento do imposto, muitos consumidores migraram para opções nacionais: o número de pessoas que procuraram um produto similar com entrega no Brasil subiu de 22% para 32%.
Já os que desistiram totalmente da compra caíram de 58% para 42%.
ICMS e frete também pesam no bolso
Além do Imposto de Importação, o ICMS também é uma barreira. O percentual de consumidores que desistiram da compra por causa do imposto estadual subiu de 32% para 36%. O impacto é mais forte entre quem tem ensino superior (48%) e jovens adultos (45%).
O frete internacional e o prazo de entrega seguem como outros vilões. A pesquisa mostra que 45% dos entrevistados deixaram de concluir uma compra por causa do alto custo do envio, enquanto 32% desistiram ao ver o tempo de espera.
Para Márcio Guerra, o cenário revela um comportamento mais racional do consumidor brasileiro. “A taxação trouxe uma reflexão que antes era abafada pela diferença de preços. Agora, as pessoas estão ponderando mais antes de importar”, avaliou.
A pesquisa também mostrou que 75% das compras internacionais são feitas para uso pessoal, especialmente entre idosos, mulheres e pessoas com renda de até dois salários mínimos. Apenas 2% afirmaram comprar produtos com intenção de revenda.
O levantamento ouviu 2.008 pessoas em todo o país entre 10 e 15 de outubro de 2025 e tem margem de erro de dois pontos percentuais.
Confira o estudo na íntegra:
Leia Mais: