Em uma simulação hipotética, uma família de cinco pessoas poderia acumular até R$ 3.688 por mês em benefícios sociais caso omitisse vínculos familiares e renda nos cadastros governamentais.
O cenário evidencia falhas nos sistemas de controle e reforça a necessidade de modernização do Cadastro Único, que ainda permite fraudes temporárias, mesmo com os avanços de 2025. O levantamento foi realizado pelo Poder 360 usando como base o Estado de Goiás.
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Acúmulo de benefícios e fraudes
Na simulação, a avó ou pessoa idosa recebe o BPC (Benefício de Prestação Continuada), equivalente a um salário mínimo (R$ 1.518).
O pai recebe Bolsa Família como beneficiário “unipessoal”, sem informar que é casado, e a mãe e os filhos acumulam outros auxílios federais e estaduais, como Auxílio Gás, Pé-de-Meia, Mães de Goiás e Dignidade. Essa combinação permite atingir o valor máximo mensal de R$ 3.688.
Quando a família esconde apenas a renda, sem omitir vínculos, os auxílios somam R$ 1.816 por mês — quase 20% acima do salário mínimo vigente (R$ 1.518).
Esse tipo de fraude, conhecida como “light”, é relativamente comum, segundo especialistas, e ocorre principalmente por inconsistências nos cadastros ou falta de cruzamento de dados entre programas federais e estaduais.

A maioria dos programas estaduais não permite acúmulo de benefícios, mas falhas de cruzamento ou inconsistências nos cadastros permitem que algumas famílias burlar as regras temporariamente.
Cadastro Único e modernização
O Cadastro Único, atualizado em março de 2025, tem sido aprimorado para cruzar dados de renda, vínculos familiares e programas sociais de forma mais eficiente.
Ele é utilizado por governos federal, estaduais e municipais para detectar irregularidades e reduzir acúmulo indevido de benefícios.
O Bolsa Família, maior programa federal de transferência de renda, vem registrando redução recorde de beneficiários: entre dezembro de 2022 e outubro de 2025, mais de 2,7 milhões de famílias deixaram de receber o auxílio.
Mesmo assim, situações pontuais ainda conseguem escapar do controle, permitindo que famílias recebam auxílios de forma irregular por alguns meses.
Especialistas apontam que a modernização do cadastro ajudou a reduzir fraudes, mas alertam que sistemas descentralizados, erros de declaração e lacunas na comunicação entre diferentes programas ainda representam riscos.
Vídeos têm circulado na internet mostrando como omitir cônjuge ou renda ainda pode aumentar o valor recebido em alguns casos.
Apesar de o novo Cadastro Único ter aumentado a capacidade de fiscalização, governos reconhecem que a detecção total de irregularidades ainda é um desafio.
*Com informações do Poder 360
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