A 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas – COP30, marcada para acontecer em novembro de 2025, representa um marco global na luta contra as mudanças climáticas. Este evento de escala planetária reunirá líderes, especialistas, sociedade civil e representantes de diversos setores para discutir e definir ações concretas para mitigação e adaptação climática.
Mais do que um encontro técnico, a COP30 é um espaço estratégico onde se entrelaçam preservação ambiental, saúde pública e dignidade social – fundamentos indispensáveis para o desenvolvimento sustentável. A COP30 é um encontro global de grande relevância, dedicado à discussão e definição de ações concretas contra as mudanças climáticas.
Trata-se de um fórum estratégico que conecta diretamente preservação ambiental, saúde pública e dignidade social, pilares essenciais para o desenvolvimento sustentável.
Nesse mesmo “espírito”, o Conselho das Cidades, conforme as diretrizes do Estatuo das Cidades, Lei 10.257/01, onde os seus princípios fundamentais são: gestão democrática; a justa distribuição dos ônus e benefícios decorrentes do processo de urbanização; a recuperação dos investimentos do poder público que tenham resultado em valorização de imóveis urbanos e o direito a cidades sustentáveis, à moradia, à infraestrutura urbana e aos serviços públicos, alinhados às diretrizes nacionais e ao texto-base da Concidades Nacional, também debateu temas centrais durante a 6ª Conferência Estadual das Cidades do Amazonas.
Esses “pilares”, os princípios, dialogam diretamente com os eixos estruturantes da Conferência Nacional das Cidades, que norteiam o debate sobre o futuro das cidades brasileiras. Integrar os compromissos ambientais globais aos desafios urbanos locais é uma necessidade urgente, sobretudo em um país como o Brasil, onde a urbanização acelerada impõe sérios desafios sociais, ambientais e infraestruturais.
Como urbanista, reconhecemos que a crise climática é, antes de tudo, uma crise urbana. As cidades concentram população, consumo de recursos, emissão de gases de efeito estufa e, ao mesmo tempo, são os territórios mais vulneráveis aos impactos das mudanças climáticas. A COP30, ao reunir lideranças globais em solo brasileiro, nos convoca a um papel de protagonismo na construção de cidades mais resilientes, sustentáveis e inclusivas.
No entanto, a resposta urbana à emergência climática não pode se limitar a soluções pontuais ou setoriais. É fundamental que ela esteja alicerçada em um planejamentourbano integrado, com base na justiça socioespacial e na participação democrática. Nesse contexto, os três eixos da Conferência Nacional das Cidades oferecem um quadro estratégico essencial para essa articulação.
EIXO 1: Articulação entre os principais setores urbanos e o planejamento das políticas públicas
Habitação de interesse social, saneamento, mobilidade e acessibilidade são mais do que demandas setoriais – são componentes estruturantes da qualidade urbana. Para nós, urbanistas, é claro que não há política habitacional eficaz sem acesso a infraestrutura e transporte público, assim como não há mobilidade sustentável sem uma cidade mais compacta e equilibrada em seu uso e ocupação do solo.
A COP30 nos coloca diante da necessidade de territorializar as ações climáticas: mapear vulnerabilidades, planejar cidades a partir da lógica da adaptação e garantir que as intervenções urbanas estejam alinhadas às metas de neutralidade de carbono e inclusão social.
EIXO 2: Gestão estratégica e financiamento
O desafio urbano-climático exige uma gestão pública inovadora, articulada e multiescalar. Planejar sob a ótica climática demanda capacitação técnica dos entes locais, dados territoriais de qualidade, e sobretudo, financiamento consistente e continuado.
Os urbanistas têm um papel central na formulação de projetos urbanos com viabilidade técnica e impacto social, prontos para captar recursos internacionais voltados à transição ecológica. O momento pede que o urbanismo vá além do plano: que se converta em ação estratégica, capaz de operar no território com eficiência e sensibilidade.
EIXO 3: Grandes temas transversais – sustentabilidade ambiental, emergências climáticas, transformação digital e justiça social
Planejar cidades em tempos de emergência climática significa incorporar uma abordagem transversal, sensível às desigualdades e aos territórios. A sustentabilidade ambiental, para nós, não é um apêndice – é a própria essência do planejamento urbano contemporâneo.
Da mesma forma, a transformação digital deve ser entendida como instrumento para democratizar o planejamento, ampliar o acesso à informação, monitorar indicadores urbanos e promover a participação cidadã. O urbanismo digital e inclusivo é uma ferramenta poderosa na construção de cidades mais justas.
A COP30 é mais que uma conferência: é um alerta e uma oportunidade. Alerta para os limites do modelo urbano excludente e insustentável que ainda persiste; oportunidade para reinventarmos nossas cidades a partir de uma nova lógica: planejar com o clima e com as pessoas no centro.
Como urbanistas, temos o dever ético e técnico de contribuir com soluções que articulem justiça climática e justiça urbana, sempre com base no território. A integração entre os eixos da Conferência das Cidades e os compromissos da COP30 deve nortear nossas ações daqui em diante — não como agenda futura, mas como tarefa urgente e inadiável.
A COP30 é uma oportunidade histórica para o Brasil liderar a agenda climática global com foco na justiça social, equidade territorial e sustentabilidade. Alinhar os debates da Conferência das Cidades com os compromissos internacionais é fundamental para construir um futuro onde as cidades sejam protagonistas da transição ecológica justa e inclusiva. Planejar o urbano com base nos três eixos – articulação setorial, gestão estratégica e temas transversais – é não apenas urgente, mas necessário para garantir o direito à cidade em um planeta habitável.
Dentro desse contexto local, entende-se que a COP30 contribuirá significativamente com respostas urgentes, ampliando a visibilidade e o compromisso institucional com o saneamento básico — um direito fundamental que ainda é um desafio nas regiões mais remotas. A expectativa é que as discussões da conferência internacional antecipem medidas concretas para alcançar a universalização do acesso à água potável, ao esgotamento sanitário e à gestão de resíduos sólidos, com atenção especial às populações ribeirinhas, indígenas, agricultores familiares e demais comunidades
Com isso, reafirmamos que a justiça climática passa necessariamente pela inclusão social e pelo fortalecimento das políticas públicas em saneamento e infraestrutura, garantindo dignidade para todas as pessoas, em todos os territórios.
A COP30 é mais que uma conferência onde é um alerta e uma oportunidade!!! Alerta para os limites do modelo urbano excludente e insustentável que ainda persiste; oportunidade para reinventarmos nossas cidades a partir de uma nova lógica: planejar com o clima e com as pessoas no centro.
Como arquiteto(a)s e urbanistas, temos o dever ético e técnico de contribuir com soluções que articulem justiça climática e justiça urbana, sempre com base no território. A integração entre os eixos da Conferência das Cidades e os compromissos da COP30 devem nortear nossas ações daqui em diante — não como agenda futura, mas como tarefa urgente e inadiável.