quinta-feira, 5 de novembro de 2026

Senadores pressionam por maior foco em relações comerciais Brasil-Ásia

Integrantes da Comissão de Relações Exteriores pressionam o Itamaraty para que sejam priorizadas relações comerciais com países asiáticos, em detrimento a parceiros europeus.
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Integrantes da Comissão de Relações Exteriores (CRE) do Senado estão pressionando o Itamaraty para que sejam priorizadas relações comerciais com países asiáticos, em detrimento a parceiros europeus tradicionais. De acordo com matéria publicada pela Veja, para os parlamentares, a manutenção de postos diplomáticos em nações com relações comerciais fracas com o Brasil precisa ser revista, e o foco deve ser dado a países que favoreçam a Balança Comercial brasileira, como os da Ásia.

Para dar sustenção ao pleito, os membros da CRE utilizam dados do próprio Ministério das Relações Exteriores que mostram a força dos asiáticos. Um dos exemplos pontuais destas novas relações são os números das exportações brasileiras para a Índia que, nos seis primeiros meses deste ano, superaram todas as vendas para o Reino Unido.

Da mesma forma, no primeiro semestre, o Brasil exportou mais para Singapura do que para a Alemanha e mais para a Coréia do Sul do que para a Espanha.

Já a presidente da CRE, senadora Kátia Abreu (Progressistas-TO), destacou que as exportações brasileiras a países asiáticos, excluindo a China, são maiores do que tudo que o Brasil vende para União Europeia. Ao mesmo tempo, ainda segundo a parlamentar, as relações comerciais Brasil-China são de “aproximadamente US$ 1 bilhão [R$ 5,4 bilhões] a cada 60 horas”.

A reportagem da Veja revela ainda que, de posse desses dados, os senadores da Comissão de Relações Exteriores pediram explicações ao ministro das Relações Exteriores, chanceler Carlos Alberto Franco França, sobre a produtividade e as vantagens comerciais da permanência de embaixadas em países com baixo fluxo de negócios com o Brasil. O pedido vem após constatação de casos de manutenção de postos diplomáticos brasileiros em países com baixíssimas relações comerciais com o Brasil, como é o caso de Botsuana. O país africano, apesar da ínfima contribuição com a Balança Comercial brasileira, conta com um posto dilpomático mantido pelo Itamaraty, desde 2007.

O órgão informou que, entre 2019 e 2020, houve uma redução de 140 postos, visando reduzir custos, principalmente nos Estados Unidos e na Europa. No total, o Itamaraty mantém 61 representações na Europa, 42 na América do Sul, 37 na África, 29 na Ásia e Oceania, 20 na América do Norte, 15 na América Central e Caribe e 12 no Oriente Médio e Ásia Central.

Ainda de acordo com reportagem da Veja, a manutenção dos 216 postos diplomáticos do Brasil no exterior consome cerca de 80% do orçamento anual do Ministério de Relações Exteriores.

“A manutenção de ampla rede de postos no exterior representa desafio orçamentário ao ltamaraty, uma vez que seu custeio se dá em moeda estrangeira, e, ao longo da última década, o real desvalorizou-se fortemente em relação ao dólar norte-americano. […] O orçamento do MRE em 2021 é o segundo menor dos últimos cinco anos”, disse França em um ofício enviado ao Senado.

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