domingo, 1 de novembro de 2026

O ESG e seus impactos nos resultados organizacionais

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Doutor e Mestre em Engenharia de Produção pela USP com pós-graduação em Marketing pela ESPM. Consultor nas áreas de Gestão de Projetos, Gestão da Inovação, Gestão do Conhecimento, Capital Intelectual, Gestão de Pessoas e Lições Aprendidas.

As práticas voltadas para o ESG (Ambientais, Sociais e de Governança) têm ganhado maior relevância no mercado corporativo muito por conta dos valores que são atreladas as empresas que promovem a adoção de iniciativas em prol de sua inserção no dia a dia organizacional.

É salutar que não apenas as empresas, bem como investidores e, principalmente, consumidores em geral passem a reconhecer de forma diferenciada aquelas instituições que demonstram incluir em suas pautas, sobretudo, ao longo de suas análises mercadológicas, as questões ambientais, sociais e de governança.

O grande desafio presente quanto ao efetivo sucesso do ESG não parece estar associado com qualquer questionamento quanto a relevância de suas práticas, mas sim em tornar possível sua devida aferição a partir da atribuição de valores monetários advindos dos benefícios proporcionados.

Cabe salientar, no entanto, que a causa raiz dessa questão não é recente e para muitos tem origem em um outro conceito que a contabilidade tradicional conceituava como goodwill, um grupo de bens que não são passíveis de uma adequada valorização. A impossibilidade em se fazer esta mensuração fez com que a diferença entre o valor real de uma empresa, aquele considerado para sua negociação, e o valor contábil de seus ativos passasse a ter esta denominação.

Com o passar dos anos, no entanto, sobretudo por conta de estudos desenvolvidos por Nonaka & Takeuchi, Thomas Stewart e Thomas Davenport, e tantos outros que se enveredaram pela temática da gestão do conhecimento, passou-se a ser compreendida como real a possibilidade de se conseguir, através de critérios qualitativos, a melhor quantificação dessas características consideradas, até então, como intangíveis.

Entende-se também que esta motivação se deveu muito por conta dos ativos intangíveis passarem a representar boa parte do valor total de uma organização. Segundo algumas pesquisas desenvolvidas em empresas de diversos segmentos, excetuando as instituições financeiras, eles são responsáveis, em média, por 70% do valor total apurado para a venda.

Esta constatação vai de encontro aos anseios destacados pelo então secretário-geral da ONU, Kofi Annan, quando ainda em 2004 promoveu a estruturação de um grupo composto por CEOs de grandes instituições mundiais financeiras para que juntos eles pudessem discutir meios para a inserção de critérios ambientais, sociais e de governança durante a realização de análises mercadológicos de seus grandes conglomerados.

Desde então muito se evoluiu, o que nos permite afirmar que a valorização econômica das práticas ESG e seus consequentes impactos junto aos resultados organizacionais é algo real possível, o que, por si só, torna a sua presença em uma condição sine qua non.

Muito por conta disso, a estruturação de iniciativas ESG é entendida por ser algo exequível e de aplicação viável, diante a presença de condições normais quanto ao real interesse daqueles que respondem pelos corpos diretivos das instituições que as promovem. Para tanto, apenas para exemplificar algumas possibilidades, considerando aspectos ambientais, que representa o E da afamada sigla, o uso de tecnologias baseadas em energias renováveis, práticas em prol da adequada gestão de resíduos, iniciativas que promovam a conservação da água, bem como a redução de emissões de carbono, são ações que podem ter seus resultados medidos sem maiores percalços.

Já diante o ponto de vista social, o S do ESG, práticas que estimulem a diversidade e inclusão no ambiente de trabalho, o aumento de questões relativas à saúde e segurança no trabalho dos colaboradores, a estruturação e oferta de programas sociais e direitos trabalhistas para participantes da cadeia produtiva onde a organização está presente, representam iniciativas efetivas passíveis de serem devidamente valorizadas.

Por fim, quanto a governança, a estruturação de um modelo organizacional que promova uma gestão onde a transparência se faz presente, sobretudo por conta da vigência, e obediência, de políticas anticorrupção, códigos de conduta e ética, representa, indubitavelmente, um meio essencial para a sua devida mensuração.

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