Estudo publicado nesta terça-feira (2/9) na revista científica “Nature Communications” aponta que 75% da perda de chuvas na Amazônia desde 1985 está ligada diretamente à derrubada da floresta, superando até mesmo os efeitos do aquecimento global.
Segundo a pesquisa, conduzida por cientistas brasileiros e estrangeiros, o avanço do corte raso fez com que a floresta deixasse de receber, em média, 15,8 milímetros de chuva por estação seca.
Além disso, a temperatura máxima do ar aumentou cerca de 2 °C no mesmo período, sendo que 16,5% desse calor extra está diretamente relacionado ao desmatamento.
📲 Participe do canal do RealTime1 no Instagram
O levantamento indica que basta a perda de 10% a 40% da cobertura vegetal para que os efeitos no clima sejam sentidos. Isso acontece porque a vegetação amazônica libera partículas essenciais para a formação de nuvens e chuvas.
Quando a floresta é derrubada, esse ciclo natural é interrompido, provocando secas mais severas e aumento das temperaturas.
Além disso, os rios amazônicos apresentam níveis cada vez mais baixos, afetando a biodiversidade aquática e comunidades que dependem da pesca e da agricultura de subsistência.
Se o ritmo atual continuar, o estudo prevê que, até 2035, a Amazônia poderá enfrentar um aumento de 2,64 °C nas temperaturas máximas e uma redução de 28,3 milímetros de chuva por estação seca em relação a 1985.
Os impactos do desmatamento vão além da região amazônica. A floresta desempenha um papel essencial no abastecimento de umidade por meio dos chamados “rios voadores” — correntes de vapor que transportam água para áreas agrícolas do Centro-Oeste e do Sudeste.
Regiões como o arco do desmatamento, no sudeste da Amazônia, já registram secas prolongadas, queimadas severas e calor extremo.
Pesquisadores alertam que o bioma pode estar se aproximando de um ponto crítico. Embora não haja consenso sobre quando ocorrerá o chamado “ponto de não retorno”, há sinais de que, sem mudanças, a floresta pode começar a apresentar características semelhantes às do Cerrado ou até da Caatinga.
Confira o estudo na íntegra:
Leia Mais: