A Polícia Federal indiciou o ex-presidente Jair Bolsonaro e seu filho Eduardo Bolsonaro por tentativas de coagir o STF e interferir em processos judiciais relacionados à trama golpista de 8 de janeiro.
O pastor Silas Malafaia também teve seu celular e passaporte apreendidos, embora não tenha sido indiciado.
A análise das mensagens recuperadas mostra que o grupo buscava maneiras de proteger Jair Bolsonaro da ação penal, recorrer a aliados internacionais e contornar restrições legais, demonstrando uma atuação coordenada em múltiplas frentes: digital, política e financeira.
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Pedido de asilo e estratégias internacionais
Entre os arquivos recuperados, os investigadores encontraram rascunhos de pedido de asilo político na Argentina, supostamente preparados para apresentar ao presidente Javier Milei. Embora a defesa do ex-presidente tenha afirmado que o pedido não foi concretizado, o registro indica que a alternativa foi considerada como plano de contingência.
Além disso, Eduardo Bolsonaro atuou nos Estados Unidos para garantir apoio político e financeiro, incluindo interações com aliados de Donald Trump. Ele discutiu medidas como tarifas comerciais sobre produtos brasileiros e restrições internacionais contra ministros do STF, mostrando que a articulação buscava pressão externa para favorecer o ex-presidente.
Descumprimento das medidas cautelares
Bolsonaro continuou ativo nas redes sociais mesmo após medidas cautelares do STF proibirem sua atuação digital. O pastor Silas Malafaia estimulou o ex-presidente a desrespeitar as restrições, mobilizando deputados e coordenando publicações.
A investigação identificou listas de transmissão no WhatsApp, que permitiam enviar mensagens a parlamentares e aliados sem criar grupos públicos, facilitando a articulação de ações em favor de Bolsonaro.
Anistia “light” e proteção financeira
Mensagens indicam que Eduardo Bolsonaro propôs uma anistia parcial, destinada a proteger apenas o ex-presidente.
Paralelamente, há indícios de uso de contas bancárias das esposas para movimentar recursos de forma a evitar bloqueios judiciais, estratégia que demonstra preocupação com a proteção de patrimônio e recursos financeiros.
Conexão com a Rumble e narrativa paralela
A PF também identificou contato de Bolsonaro com o advogado norte-americano Martin de Luca, ligado à plataforma Rumble.
A troca de mensagens buscava orientar a elaboração de notas públicas associando sua situação a uma “perseguição política”, mostrando uma tentativa de influenciar a opinião pública internacional e criar narrativas favoráveis.
Conflitos internos e tensões familiares
As mensagens revelaram ainda desentendimentos entre Jair e Eduardo Bolsonaro, com troca de insultos e críticas, evidenciando tensão interna na coordenação da estratégia de defesa.
Malafaia também criticou Eduardo, reforçando divergências dentro do grupo.
Para especialistas, as descobertas da PF reforçam a necessidade de fortalecer os mecanismos de controle e a integridade das instituições democráticas, garantindo que tentativas de interferência no Judiciário não fiquem impunes.
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