Desafios da governança e da atuação de forças federais e estaduais na Amazônia Legal foram o foco de um dos principais painéis do 19º Encontro de Segurança Pública do Amazonas.
O debate reuniu representantes da Polícia Federal, do Exército, da Força Nacional de Segurança Pública, da Secretaria de Segurança do Amazonas e do Fundo Amazônia para discutir a integração de esforços no combate a crimes como desmatamento e garimpo ilegal.
Moderado pelo professor Luciano Lima, o debate buscou apresentar um panorama sobre os resultados e as atribuições de cada órgão na região.
A discussão ressaltou a importância da cooperação interinstitucional e da aplicação de políticas integradas para enfrentar a complexidade da criminalidade na Amazônia.
Polícia Federal aponta desafios e reforça papel da inteligência
O diretor da Diretoria Amazônia e Meio Ambiente da Polícia Federal, Humberto Freire, destacou que o combate ao crime organizado na região enfrenta desafios únicos, como a vasta área de atuação, que abrange nove países, e a lucratividade das atividades criminosas.
Ele enfatizou que, apesar da queda nos índices de criminalidade, a região ainda convive com crimes de baixa penalidade e uma logística complexa. “São operações ostensivas que muitas vezes visam desarticular aquele crime ambiental que está acontecendo no terreno, no garimpo ilegal, na extração de madeira”, afirmou.
Freire citou a criação do Centro de Cooperação Policial Internacional da Amazônia (CCPI), em Manaus, como um modelo de sucesso de articulação entre os diversos órgãos de segurança pública.
“Em oito meses após a liberação do recurso, a gente está com esse centro funcionando”, disse, atribuindo o sucesso à parceria com o Fundo Amazônia/BNDES.
Nova unidade da Força Nacional reforçará integração na Amazônia
O diretor da Força Nacional de Segurança Pública, Fernando Alencar, iniciou sua fala detalhando o modelo de atuação do órgão, que opera de forma complementar às forças de segurança estaduais. Alencar ressaltou a importância da permanência das forças no terreno para a efetividade das operações.
“Não adianta você fazer operação e ir embora. Tem que ficar ali, presente, porque se não o crime é assediado novamente”, disse. Ele aproveitou o painel para fazer um anúncio importante: a criação, em Manaus, da primeira Companhia de Operações Ambientais da Força Nacional fora de Brasília.
BNDES e Fundo Amazônia: ‘Essa floresta é gente’
A dimensão econômica do problema foi abordada por Fernanda Milne-Jones Nader Garavini, do Fundo Amazônia/BNDES. Ela ressaltou a importância de enxergar a segurança pública e a preservação ambiental como questões humanas. “Essa floresta é gente”, afirmou.
Fernanda relembrou que a criação do fundo foi possível após o Brasil apresentar resultados concretos na redução do desmatamento. “O Brasil trouxe resultados para o mundo que nenhum outro país trouxe. Não era uma promessa. Era um resultado já alcançado”, afirmou.
Secretário de Segurança do AM aponta desafios e estratégias
Pela perspectiva do Governo do Amazonas, o secretário-adjunto de Segurança Pública, Anézio Brito de Paiva, destacou que a integração é o grande ponto de sucesso da segurança no estado. “A nossa força de segurança… nós agimos integrados aqui na Amazônia”, afirmou. Ele reconheceu, no entanto, que a realidade do interior é de imensos desafios logísticos. “As dificuldades são imensuráveis para quem não conhece essa realidade”, disse, ressaltando o sucesso da colaboração na criação de embarcações blindadas para combater os criminosos nos rios.
Exército defende atuação integrada para superar complexidade
O representante do Comando Militar da Amazônia, Allan Salazar, iniciou sua fala contextualizando a dimensão da Amazônia Legal. Ele definiu a região como um “hotspot” global, onde um “ecossistema de crime” fortalece o crime organizado transnacional. “A gente tem que atuar integrado e coordenado”, defendeu. Ele apontou as limitações jurídicas que restringem a atuação do Exército a 150 km da fronteira, reforçando que o apoio da Força se dá com inteligência, comunicação e logística para as demais agências.
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