O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a criticar o Brasil nesta quinta-feira (14/8), classificando o país como “um dos piores parceiros comerciais do mundo” e acusando as autoridades brasileiras de promoverem uma “execução política” contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Em conversa com jornalistas no Salão Oval, Trump disse que o Brasil impôs tarifas “enormes” aos produtos americanos por anos e que agora enfrenta uma sobretaxa de 50% para entrar no mercado dos EUA.
“Eles nos trataram muito mal como parceiros comerciais. Agora não estão felizes, mas é assim que as coisas são”, afirmou Trump.
A medida, que entrou em vigor em 6 de agosto, atinge 36% das exportações brasileiras para os EUA, incluindo carnes, café e máquinas agrícolas.
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Há exceções para 43% dos produtos, como derivados de petróleo, ferro-gusa, suco de laranja e aviões civis, o que beneficia empresas como a Embraer.
Outros 20% das exportações, como aço, alumínio e autopeças, já pagam tarifas setoriais específicas.
Trump também fez críticas diretas ao sistema legal brasileiro, mencionando o ministro Alexandre de Moraes, do STF, e a situação judicial de Bolsonaro, que responde a inquérito sobre tentativa de golpe em 2022.
“Eu conheço esse homem. Acho que ele é honesto. O que estão fazendo é uma execução política”, disse.
O governo brasileiro afirma que não vai ceder em pontos considerados políticos e tenta negociar apenas na esfera comercial. Porém, as conversas estão paralisadas.
Uma reunião entre o ministro Fernando Haddad (Fazenda) e o secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, foi cancelada há duas semanas.
Fontes do governo indicam que, sem aval de Trump, não há expectativa de avanço, e que o presidente americano só estaria disposto a flexibilizar as tarifas caso haja um gesto em favor de Bolsonaro.
Lula diz que não vai ficar chorando pelos EUA
Antes do pronunciamento de Trump, o presidente Lula afirmou que o Brasil não ficará dependente das compras dos Estados Unidos. Segundo ele, o país pode ampliar sua presença em mercados como China, Índia e Rússia.
“Se eles não quiserem comprar, não tem problema. Nós vamos procurar outros países para vender o que vendemos para eles e seguir em frente”, afirmou o presidente.
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