O Brasil está novamente fora do Mapa da Fome da Organização das Nações Unidas (ONU). O relatório “O Estado da Segurança Alimentar e Nutrição no Mundo (SOFI 2025)”, divulgado em julho, confirmou que menos de 2,5% da população brasileira estava em risco de subnutrição ou sem acesso suficiente a alimentos no triênio de 2022 a 2024.
O país havia retornado ao mapa entre 2019 e 2021, após uma primeira saída em 2014.
Para entender a relevância desse anúncio, é preciso compreender o que significa o Mapa da Fome.
Ele é um indicador global da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) que tem como objetivo mapear os casos de subnutrição e insegurança alimentar no mundo.
Esse indicador é fundamental para que governos e organizações possam identificar as regiões mais afetadas e, assim, direcionar políticas e ações de combate à fome de forma mais eficaz.
A FAO atualiza seus dados anualmente, mas sempre utilizando a média dos últimos três anos. Essa metodologia evita distorções que poderiam ser causadas por eventos pontuais, como crises econômicas repentinas ou desastres naturais.
Para estimar a parcela da população sem acesso suficiente a alimentos, são consideradas diversas variáveis: a quantidade de alimentos disponíveis no país (produção, importação, exportação), o consumo efetivo pela população (levando em conta poder de compra e ingestão calórica adequada) e como essa quantidade de alimentos se distribui, considerando a desigualdade de renda.
Sair do mapa não significa fim da fome
É importante destacar que a saída do Brasil do Mapa da Fome não significa que a fome acabou no país. Embora seja um avanço significativo e um reconhecimento de políticas públicas, a insegurança alimentar ainda é um problema sério.
Milhões de pessoas no Brasil continuam em situação de vulnerabilidade, enfrentando dificuldades para garantir acesso regular a uma alimentação adequada.
Por isso, a continuidade de políticas públicas consistentes e investimentos baseados em dados continuam sendo cruciais para enfrentar esse desafio de forma duradoura.
Indicadores e programas que ajudam a combater a fome no Brasil
A construção de estratégias de combate à fome no Brasil se apoia em pilares como o Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea), um espaço de participação social recriado em 2023, e o Plano Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Plasan), ferramenta de planejamento do governo federal.
O país dispõe de indicadores precisos para identificar a situação da população em risco, direcionando as ações. Dados de renda e pobreza da PNAD Contínua e da Pesquisa de Orçamentos Familiares, além de informações de saúde da Pesquisa Nacional de Saúde (todos do IBGE), são exemplos.
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Programas como a Estratégia Saúde da Família (eSF) e as Unidades Básicas de Saúde (UBS) coletam dados de domicílios com dificuldades alimentares e acompanham crianças do Bolsa Família. O CadÚnico também ajuda a estimar a insegurança alimentar grave, usando a Escala Brasileira de Insegurança Alimentar do IBGE.
Segundo o governo federal, políticas de redução da pobreza foram essenciais para essa conquista. Destaques incluem o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), a Política Nacional de Agricultura Familiar e programas de transferência de renda como o Bolsa Família e o Benefício de Prestação Continuada (BPC). Outras iniciativas relevantes são o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), o Programa Cisternas e as Cozinhas Solidárias, que apoiam a produção, o acesso à água e a distribuição de refeições para populações vulneráveis.
*Informações IREE