Entre 2016 e 2025, o governo federal pagou R$ 4,4 bilhões em benefícios a mais de 275 mil pessoas já falecidas. A constatação é de uma auditoria feita pelo Tribunal de Contas da União (TCU).
O principal motivo, segundo o órgão, foi a falha no cruzamento de dados entre sistemas de diferentes esferas de governo.
A análise se concentrou na base de dados do Sistema Nacional de Informações de Registro Civil (Sirc), responsável por reunir registros de óbitos.
Os técnicos do TCU identificaram problemas como atrasos nas comunicações, registros com CPFs incorretos, datas erradas de falecimento e ausência de dados.
A conclusão foi de que há graves falhas na governança e nos controles para evitar fraudes. Do total de pagamentos indevidos, 91% referem-se a benefícios previdenciários, incluindo aposentadorias e pensões.
Também houve liberação de valores do Bolsa Família, de auxílios trabalhistas e até de folhas de pagamento de servidores públicos.
Somente em fevereiro de 2025, foram pagos R$ 21,2 milhões para mais de 11 mil pessoas que, oficialmente, estavam mortas.
O pico de pagamentos irregulares ocorreu em 2022, quando os gastos chegaram a R$ 910 milhões. A situação começou a melhorar em 2023, mas os dados ainda preocupam.
Segundo o TCU, cerca de 13,1 milhões de registros de óbito ainda estão ausentes do Sirc, o que compromete o controle das bases federais.
O tribunal determinou que o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) convoque os supostos beneficiários para confirmar se ainda estão vivos. Em caso negativo, os pagamentos devem ser imediatamente cancelados.
O ministro do TCU Bruno Dantas classificou os números como “alarmantes e escandalosos” e afirmou que os dados mostram “o absoluto descontrole” sobre os registros de óbitos no país.
Até o momento, nem o INSS nem o Ministério dos Direitos Humanos, responsável pela gestão do Sirc, se manifestaram.
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