Alvo recente de críticas do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, o Pix segue se consolidando como o principal meio de pagamento no Brasil.
Em junho de 2025, o sistema registrou 6,5 bilhões de transações, movimentando mais de R$ 3,3 trilhões. Criado pelo Banco Central e lançado em 2020, o Pix é hoje referência global em pagamentos instantâneos, e tema de debate geopolítico.
Durante discurso recente, Trump afirmou que sistemas como o Pix representam riscos à soberania financeira dos países, ao concentrarem dados e operações em uma infraestrutura tecnológica centralizada.
A crítica, embora genérica, reacendeu discussões sobre o protagonismo brasileiro em soluções digitais próprias, em contraste com alternativas mais recentes dos EUA, como o FedNow.
No Brasil, os dados confirmam a expansão do Pix em larga escala. Segundo o relatório oficial do Banco Central, até junho deste ano havia 632 milhões de chaves Pix ativas, das quais 567 milhões pertencem a pessoas físicas e 65 milhões a empresas. O número de usuários cadastrados no sistema ultrapassa 167 milhões, com mais de 640 milhões de contas vinculadas.
A distribuição regional das transações mostra o domínio das regiões mais populosas, mas destaca também o avanço do sistema em áreas historicamente menos assistidas.
O Sudeste concentrou 43,8% das transações em junho, seguido pelo Nordeste (25,7%), Sul (12,0%), Norte (9,6%) e Centro-Oeste (8,9%).
Região Norte e Amazonas
Mesmo com menor densidade populacional, a região Norte apresenta uso proporcional elevado do Pix. No Amazonas, por exemplo, a média mensal é de 48 transações por usuário, a mais alta do país, segundo estudo da Fundação Getulio Vargas (FGV) de 2024.
O valor médio dessas operações, no entanto, é o menor entre os estados: cerca de R$ 119, reflexo da utilização cotidiana para pequenas compras, transporte ou transferências familiares.
Transações Mais utilizadas
A maior parte das transações tem natureza P2P (pessoa para pessoa), representando 68% do total. Transferências entre pessoas e empresas (P2B) somam 15%, e o restante envolve pagamentos entre empresas, devoluções ou operações com o setor público.
O perfil dos usuários revela que 59% das transações são feitas por pessoas entre 20 e 39 anos, o que reforça a digitalização financeira das faixas mais jovens da população. O Pix também supera com folga os cartões e boletos como meio de pagamento preferido no país.
Outras modalidades, como Pix Saque e Pix Troco, registraram mais de 1,4 milhão de operações em junho e movimentaram mais de R$ 520 milhões em espécie. Essas funções têm crescido principalmente em regiões com baixa cobertura bancária.
Com recordes sucessivos de volume e adesão crescente em áreas remotas, o Pix se consolida não apenas como um sucesso nacional, mas como exemplo de inovação que desperta atenção, e incômodo, além das fronteiras brasileiras.
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