sexta-feira, 25 de setembro de 2026

Defesa Civil alerta que cheia atípica de 2025 já impactou mais de 133 mil famílias no Amazonas

COMPARTILHE
Foto: Arquivo/Secom

O Estado do Amazonas vive um ciclo anual de cheias e secas nos rios, mas em 2025 esse padrão tem se mostrado diferente. Em julho, mês em que o Rio Negro começa a baixar, o nível da água em Manaus continua subindo e alcançou 29,01 metros nesta quinta-feira (10/07), conforme registro do Porto da capital, situação que não ocorria desde 2014.

A Defesa Civil do Estado do Amazonas informa que o monitoramento da cheia é contínuo e feito pelo Centro de Monitoramento e Alerta (Cemoa), responsável por acompanhar os níveis dos rios durante todo o ano.

De acordo com o Chefe de Monitoramento e Alerta da Defesa Civil do Amazonas, tenente Charlis Barroso, os dados atuais indicam uma possível estabilização dos níveis do Rio Negro.

“Como nós podemos observar aqui no nosso acompanhamento do nível do rio na página da Defesa Civil, desde o dia 5 de julho houve uma estabilização do nível do rio em Manaus, onde o nível do rio se repetiu no dia 5, 6, 7 e 8, e aí começou a baixar no dia 9 e no dia 10, um acúmulo de descida de 4 centímetros nesses dois dias. Esperamos que continue esse processo de vazante para que não cause mais transtorno à nossa população”, enfatizou o tenente Charlis.

O Cemoa atua 24 horas por dia, todos os dias da semana, com acompanhamento em tempo real de eventos naturais e hidrometeorológicos que representem risco à população.

“É natural, nesses primeiros dias, o nível do Rio poder variar um centímetro, dois centímetros, pode ainda subir nos próximos dias, mas sim há uma indicação de estabilização e fim de processo de enchente na cidade de Manaus”, disse Charlis. Segundo ele, 42 municípios do Amazonas estão afetados pela inundação, em diferentes calhas dos rios.

Ao longo do ano, o órgão também realiza o monitoramento de chuvas intensas, deslizamentos, erosões, tempestades e outros eventos extremos, emitindo alertas antecipados à população e aos municípios.

Os alertas são emitidos à população por meio de SMS, rádio, redes sociais e sistemas integrados com prefeituras e órgãos parceiros.

Segundo dados do Comitê Permanente de Enfrentamento a Eventos Climáticos e Ambientais, divulgados pelo Governo do Amazonas nesta quarta-feira (09/07), a cheia de 2025 já afetou 133.711 famílias, o equivalente a aproximadamente 534.829 pessoas.

Das nove calhas hidrográficas do estado, três estão em processo de vazante: Juruá, Purus e Madeira, enquanto as demais permanecem em processo de cheia, com picos ocorrendo entre março e julho.

Os dados coletados pelo Centro de Monitoramento são fundamentais para antecipar os impactos dos fenômenos naturais e direcionar as ações preventivas e emergenciais da Defesa Civil. 

Ações preventivas

Planejamento antecipado de resposta humanitária: distribuição de cestas básicas, kits de purificação de água, medicamentos e apoio logístico antes do isolamento das comunidades.

Emissão de alertas para evacuação ou retirada preventiva: orientação a prefeitos, coordenadores municipais e moradores para retirada de famílias em áreas de risco.

Escolha de pontos estratégicos para instalação de abrigos e centros de apoio: definição de bases logísticas próximas às comunidades vulneráveis.

Redução de perdas e salvamento de vidas: antecipação de riscos permite prevenir desastres como deslizamentos, colapsos de pontes, falta de água e alimentos.

Campanhas educativas: ações em rádios, escolas e associações de moradores sobre riscos e medidas de autoproteção.

Foto: Arquivo/Secom

Tecnologias de monitoramento

Além disso, a Defesa Civil do Estado do Amazonas utiliza uma série de tecnologias e parcerias estratégicas para o monitoramento hidrológico e meteorológico de todo o território amazonense.

Plataformas de Coleta de Dados (PCDs): estações automáticas que enviam dados em tempo real sobre nível dos rios, vazão, temperatura e precipitação.

Sistema de Alerta Hidrológico (CPRM/SGB): em parceria com o Serviço Geológico do Brasil, fornece previsões de cheia, alertas de inundação e análises hidrológicas para os rios Solimões, Negro, Madeira e Amazonas.

Satélites de monitoramento e sensoriamento remoto (INPE, Censipam): detecção de focos de calor, cobertura de nuvens, chuvas e movimentação de massas de ar.

Radar meteorológico e modelos climáticos (INMET, CEMADEN): previsão de eventos extremos e acompanhamento de frentes frias, zonas de convergência intertropical e outros fenômenos.

Painel do Fogo (Censipam): acompanhamento em tempo real de queimadas, imagens de satélite e informações sobre a qualidade do ar.

Sobre a instituição

A Defesa Civil do Amazonas tem sua origem em 1971, com a criação do Plano de Emergência e da Comissão de Defesa Civil do Estado do Amazonas, por meio dos Decretos nº 2.115 e 2.116, assinados pelo então governador, Cel Eng. João Walter de Andrade.

Desde 2019, sob a gestão do governador Wilson Lima, os investimentos na Defesa Civil do Amazonas aumentaram significativamente, fortalecendo a estrutura do órgão e sua capacidade de resposta às emergências.

Com essa nova estrutura, a Secretaria de Defesa Civil do Amazonas passa a ter maior capacidade de articular recursos e ações, especialmente diante dos desafios impostos pelas mudanças climáticas, que impactam diretamente a região.





COMPARTILHE