A Iniciativa Global pela Integridade da Informação sobre a Mudança do Clima lançou um chamado à ação para enfrentar a desinformação que compromete o avanço da ação climática. A coalizão reúne ONU, Unesco, UNFCCC, o governo do Brasil e mais seis países — Chile, Dinamarca, França, Marrocos, Reino Unido e Suécia — além de parceiros da sociedade civil. O objetivo é selecionar propostas concretas que possam ser apresentadas durante a 30ª Conferência das Partes da Convenção do Clima (COP30), que será realizada em novembro, em Belém.
O chamado faz parte do Mutirão Global convocado pela presidência brasileira da COP30. As propostas devem ser enviadas até 31 de agosto por organizações públicas, privadas, acadêmicas e da sociedade civil por meio do site gov.br/secom/mutiraoglobal.
Pela primeira vez, o tema da integridade da informação integra a agenda oficial da COP, reconhecendo o impacto negativo da desinformação climática sobre a percepção pública, a ciência e a formulação de políticas. Em 2022, o IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas) alertou que o “enfraquecimento deliberado da ciência” compromete o entendimento dos riscos e a urgência da crise climática.
O secretário-geral da ONU, António Guterres, fez um apelo direto ao lançar a iniciativa: “É preciso reagir a campanhas coordenadas de desinformação que vão da negação explícita ao greenwashing e ao assédio a cientistas”.
Segundo a diretora-geral da Unesco, Audrey Azoulay, “apoiaremos jornalistas e pesquisadores que investigam questões sobre o clima, muitas vezes sob grande risco pessoal, e combateremos a desinformação que se espalha desenfreadamente nas redes sociais”.
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Vulnerabilidade
O primeiro Relatório Global de Riscos da ONU, divulgado este mês, aponta a desinformação como a principal vulnerabilidade contemporânea — um risco já em curso, que afeta todas as regiões do mundo. O documento também coloca cinco ameaças ambientais entre as dez mais relevantes do planeta.
As ações submetidas podem envolver campanhas de comunicação, jornalismo ambiental, letramento midiático, proteção de dados, rastreabilidade na publicidade e estudos sobre desinformação. O Mutirão também aceita doações ao Fundo Global para a Integridade da Informação sobre o Clima, gerido pela Unesco.
Para Frederico Assis, enviado especial da COP30 para a Integridade da Informação, “o enfrentamento à desinformação exige uma resposta global, colaborativa e coordenada. É um dever ético e político em defesa do nosso futuro comum”.
A CEO da COP30, Ana Toni, também destacou o papel estratégico da informação confiável: “Se começarmos a duvidar do sistema do qual fazemos parte, estaremos cedendo ao objetivo da desinformação: nos isolar e paralisar”.
As propostas aprovadas poderão compor a Agenda de Ação Climática Global da COP30.
Serviço
O que é: Mutirão Global pela Integridade da Informação sobre a Mudança do Clima
Quem pode participar: Organizações da sociedade civil, setor público e privado, universidades e organismos internacionais
Prazo para inscrição: 31 de agosto de 2025
Inscrição: gov.br/secom/mutiraoglobal
Mais informações: cop30.br/pt-br