quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Otoni Mesquita lança livro sobre Manaus vista por Verne nesta quarta na editora Valer

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Otoni Mesquita. (Foto: Divulgação)

O historiador, artista plástico e professor Otoni Moreira de Mesquita lança nesta quarta-feira, 9 de julho, às 17h30, o livro Manaus refletida no espelho de Verne, publicado pela editora Valer dentro da coleção Reflexões Amazônicas.

O evento ocorre no salão de eventos da sede da Valer Teatro e contará com sessão de autógrafos. A entrada é gratuita.

Foto: Divulgação

A obra apresenta uma análise do romance La Jangada, de Jules Verne, com foco na representação da cidade de Manaus e seus elementos fundadores.

Otoni explora a construção da imagem urbana a partir das gravuras e descrições publicadas na obra de Verne, observando o modo como viajantes naturalistas, artistas, a arquitetura e a influência europeia contribuíram para moldar um imaginário sobre a capital do Amazonas.

De acordo com a doutora em Filosofia e coordenadora editorial da Valer, Neiza Teixeira, o estudo se debruça sobre os registros visuais que marcaram a forma como a cidade passou a ser vista.

“Este estudo, além de raro, traz um outro modo de ver e conhecer a cidade de Manaus”, ressaltou a autora de Para aquém ou para além de nós.

Gravuras, narrativas e leitura da imagem

O livro investiga o papel das gravuras de Léon Benett, que ilustraram La Jangada e outras obras de Verne, como fontes para compreender a cidade na virada do século XIX.

Segundo Otoni, ainda que as fontes literárias não sigam critérios históricos rígidos, é possível extrair delas um olhar válido sobre o passado urbano.

“Ainda que o caráter ficcional da descrição literária não exija compromisso com a narrativa histórica, nem necessite das características da abordagem factual que marcaram estudos históricos da época, entende-se que já não ocorram maiores resistências em aceitar um estudo histórico da ‘imagem’ da cidade a partir de fontes desta natureza”, explica o autor.

Na orelha do livro, a pesquisadora Francisca de Lourdes Louro, doutora em Poética e Hermenêutica pela Universidade de Coimbra, destaca que a leitura proposta por Otoni articula múltiplas camadas de interpretação:

“O escritor buscou dar na ação do olhar o sentido multímodo, ora vê, ora mira, ora sonda etc. e percebeu que Léon Benett quis sintetizar a narrativa de 336 páginas em uma xilogravura, isto é, para deixar em nós a surpresa da ousadia”.

Ela acrescenta: “Essa certeza confirma o esquema mental da gênese da história de Verne e com as outras figuras que Otoni buscou como par de referência, e que refletem o mesmo tema: Amazônia. O leitor percebe no texto do historiador as surpresas da vida amazônica, também descrita por Alexander Humboldt em uma pintura ou uma litografia”.

Leitura da Amazônia a partir da imagem

O autor propõe que o estudo iconográfico seja entendido como parte da construção do olhar sobre a região.

“Foi caudalosa a curiosidade em desvendar a ideia sintetizada em uma xilogravura, até foi muito intuitivo, e mais, quis provocar o historiador-leitor a entender o todo de Verne, e mostrar a história deste lugar representado por esta e outras fontes como referências”, escreve Otoni.

A estratégia narrativa empregada no livro se baseia na articulação entre mito e história como formas de acessar o tempo das representações.

“A estratégia narrativa de Otoni Mesquita nesta obra constitui-se a real condição do tempo nas atitudes humanas na unidade de uma narrativa. Esse processo dá-se pela articulação entre os suportes tradicionais da narrativa, mito e história.”

Otoni Moreira de Mesquita é historiador, doutor em História Social, artista plástico e professor do Departamento de Artes da Universidade do Amazonas (Ufam).

Seu trabalho é conhecido por estabelecer relações entre literatura, artes visuais, imaginário social e patrimônio cultural.

Sobre a coleção Reflexões Amazônicas

O livro integra a coleção Reflexões Amazônicas, criada pela editora Valer com a proposta de reunir autores de diversas áreas dedicados a pensar a região. Os textos, de acordo com a editora, são breves, transportáveis e buscam abrir caminhos de reflexão sobre um território constantemente falado, explorado e ainda pouco compreendido.

“A nossa maior motivação é que a coleção seja importante e que nos permita conhecermos melhor a nossa aldeia”, afirma o texto institucional da coleção.

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