O IBGE divulgou, nesta quarta-feira (03/07), o estudo “Panorama Nacional e Internacional da Produção de Indicadores Sociais: Estatísticas de Saúde e Serviços Relacionados”, que analisa metodologias, experiências internacionais e dados nacionais sobre saúde. A publicação reúne seis capítulos e é voltada a gestores públicos e ao meio acadêmico.
O material integra a série “Estudos e Análises: Informação Demográfica e Socioeconômica” e discute temas como Contas Nacionais da Saúde, pesquisas domiciliares, saúde escolar, saúde mental, demografia e capacidade instalada de serviços. O objetivo é consolidar um panorama metodológico e comparativo das estatísticas oficiais no campo da saúde.
“Esta publicação pretende dar uma contribuição no reconhecimento do melhor que se produz e onde é necessário se desenvolver”, afirmou Marco Andreazzi, um dos organizadores do volume e autor do capítulo sobre saúde mental.
Ele lembrou ainda os efeitos da pandemia de Covid-19, que “evidenciou grandes fragilidades e desigualdades sociais”.
Segundo o Diretor de Pesquisas do IBGE, Gustavo Junger, o estudo “busca indicar possíveis direções para novos avanços das estatísticas de saúde no plano de trabalho do Instituto”.
Os indicadores apresentados também atendem aos compromissos assumidos pelo Brasil junto à ONU para o monitoramento da Agenda 2030 e dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).
Para a pesquisadora Clician Oliveira, também organizadora da publicação, “é importante ressaltar a transversalidade do tema. A temática da saúde, quanto a sua avaliação e monitoramento, conta com pesquisas e conhecimentos de diversas áreas e pode, por exemplo, ser relacionada a outros ODS ou identificada em outros órgãos do sistema das Nações Unidas”.
Já Cláudio Crespo, analista e organizador do relatório, destaca que “a análise elaborada dá visibilidade aos obstáculos à integração dos dados e à produção das pesquisas em um país cujas desigualdades sociais em saúde são relevantes”.
Diferenças regionais
O estudo aponta que a transição demográfica, marcada pela queda na fecundidade e pelo aumento da longevidade, ocorre de forma desigual no Brasil.
As regiões Sul e Sudeste passaram por esse processo antes, enquanto Norte e Nordeste ainda concentram populações mais jovens.
“A Região Norte continua sendo a Grande Região mais jovem do País, embora para todas elas o envelhecimento populacional já esteja estabelecido”, registra o texto.
Essas variações impactam diretamente a demanda regional por serviços de saúde. A publicação utiliza dados das Projeções da População por Unidade da Federação (revisadas com base no Censo de 2022), incluindo indicadores como o índice de envelhecimento e a razão de dependência.
Sistema de contas de saúde
O relatório detalha a aplicação de duas metodologias internacionais para mensuração dos gastos com saúde: a Conta-Satélite de Saúde (CSS), já adotada pelo IBGE, e o System of Health Accounts (SHA), padrão da OCDE e da OMS.
A CSS permite avaliar a participação do setor no PIB, a geração de renda e o volume de consumo, mas ainda não possui desagregação regional. Em 2021, as despesas com saúde representaram cerca de 9,7% do PIB nacional.
A SHA, por sua vez, permite uma análise mais fina do financiamento público, privado e de pagamentos diretos pelas famílias, além de ser aplicada por países como Canadá, Portugal e Reino Unido.
Comparações internacionais
A publicação também traz comparativos com oito países: México, Colômbia, Equador, Canadá, Portugal, Reino Unido, Espanha e França.
Em 2023, o México destinou 5,1% do PIB à saúde; o Equador, 6,5%; e o Canadá, 12,4%. Os dados brasileiros são similares à média latino-americana, mas ainda abaixo dos países da OCDE.
No caso do México, o relatório destaca o detalhamento da conta de saúde por tipo de serviço e a mensuração do trabalho não remunerado na área.
Já na Colômbia, em 2023, 42,8% da receita do setor de saúde veio de regimes contributivos, enquanto 35,8% foi subsidiada pelo Estado.
A publicação completa está disponível no site do IBGE.
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