quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Bolsonaro recebeu, leu e 'enxugou' a minuta golpista, afirma Mauro Cid ao STF

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Foto: Ton Molina/STF

O ex-ajudante de ordens Mauro Cid afirmou ao Supremo Tribunal Federal (STF) que Jair Bolsonaro recebeu, leu e “enxugou” fazendo alterações na minuta golpista que previa um golpe de Estado após as eleições de 2022.

Segundo Cid, o ex-presidente chegou a retirar trechos que sugeriam a prisão de diversas autoridades, mas manteve no texto a possibilidade de detenção do ministro Alexandre de Moraes.

A declaração foi feita nesta segunda-feira (9), durante o primeiro depoimento da série de oitivas da Primeira Turma do STF sobre a trama golpista. Cid, que fechou acordo de colaboração com a Justiça, é o primeiro a falar.

Bolsonaro e outros seis aliados serão ouvidos até a próxima sexta-feira. A exceção é o general Walter Braga Netto, que está preso no Rio de Janeiro e participará por videoconferência.

Cid relatou que o documento foi entregue a Bolsonaro por Filipe Martins, ex-assessor de assuntos internacionais da Presidência. O ex-presidente teria lido o texto e suprimido partes mais radicais, com exceção da proposta de prender Moraes.

Ao ouvir esse trecho do depoimento, o próprio ministro reagiu com ironia, arrancando risos da plateia ao dizer: “Todos os outros conseguiram habeas corpus”.

O ex-ajudante de ordens também descreveu o ambiente no Palácio da Alvorada nos dias seguintes à derrota de Bolsonaro. De acordo com ele, houve duas ou três reuniões em que foram discutidos um possível estado de sítio, um estado de defesa e a criação de um “conselho eleitoral” para convocar novas eleições.

Cid apontou ainda que o almirante Almir Garnier, ex-comandante da Marinha, era o integrante mais radical do grupo, tendo colocado tropas da Marinha em alerta para executar a ruptura institucional.

O general Braga Netto também foi citado como um dos articuladores e, segundo Cid, entregou uma sacola com dinheiro para financiar uma trama que visava assassinar o presidente Lula, o vice-presidente Geraldo Alckmin e o ministro Moraes.

Outro trecho do depoimento revelou que um major das Forças Especiais do Exército negociou o pagamento de R$ 100 mil para levar manifestantes do Rio de Janeiro a Brasília. Segundo Cid, esses recursos seriam provenientes de empresários do agronegócio.

Após o depoimento de Cid, o STF ouvirá os demais réus, começando por Alexandre Ramagem. Em seguida, prestarão depoimento Almir Garnier, Anderson Torres, Augusto Heleno, Jair Bolsonaro, Paulo Sérgio Nogueira e Walter Braga Netto.

Bolsonaro deve ser ouvido entre terça-feira e quarta-feira. Na semana passada, ele afirmou que não pretende desafiar o STF durante seu depoimento.

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