Influenciados pelas redes sociais e pelos padrões de beleza digitalmente reforçados, jovens brasileiros estão gastando cada vez mais com estética, muitas vezes além do que podem pagar.
A tendência tem levado a um aumento expressivo na procura por financiamentos, parcelamentos e até empréstimos para bancar procedimentos, desde skincare e harmonização facial até cirurgias plásticas.
Segundo dados da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), houve um crescimento de 40% na busca por procedimentos estéticos entre pessoas com menos de 30 anos nos últimos cinco anos.
De acordo com a fintech Jeitto, que atua com crédito digital, cerca de 32% dos pedidos de crédito entre jovens de 18 a 29 anos são para financiar cuidados com a aparência, como estética, beleza, vestuário e procedimentos.
Já uma pesquisa de 2023 da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) em parceria com o SPC Brasil mostra que 47% da Geração Z (entre 18 e 24 anos) não realiza qualquer controle das finanças pessoais, o que agrava a situação de endividamento.
Pressão estética nas redes e consumo impulsivo
O crescimento do mercado de estética entre jovens é atribuído, em parte, à influência de plataformas como Instagram e TikTok, onde imagens editadas e padrões inalcançáveis de beleza se tornaram rotina.
Procedimentos como harmonização facial, rinomodelação, preenchimentos, depilação a laser e clareamento dental se popularizaram, inclusive entre o público masculino.
Levantamento da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) revela que em 2022, 20% dos homens entre 18 e 30 anos já haviam realizado algum procedimento estético não cirúrgico.
Clínicas e consultórios têm facilitado o acesso aos procedimentos com parcelamentos em até 24 vezes, boletos recorrentes e parcerias com financeiras.
Beleza financiada e risco de endividamento
Segundo estudo da Serasa Experian, jovens entre 18 e 34 anos lideram as estatísticas de endividamento no Brasil, com 52% comprometidos com dívidas.
As principais modalidades são cartão de crédito, crediário e empréstimo pessoal, justamente as formas mais comuns de pagamento em clínicas de estética e salões de beleza.
Além disso, dados do Banco Central mostram que a faixa etária de 18 a 24 anos é a que apresenta maior inadimplência entre as classes C e D.
Isso indica um desequilíbrio entre o consumo e a capacidade de pagamento, agravado por decisões financeiras de curto prazo que priorizam a aparência.
Especialistas em finanças recomendam que gastos com estética e consumo pessoal não ultrapassem 10% da renda mensal disponível.
No entanto, com a facilidade de crédito e a pressão por imagem, muitos jovens ultrapassam esse limite em busca de pertencimento e validação social.
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