A ex-coordenadora do Programa Nacional de Imunizações (PNI) do Ministério da Saúde, Francieli Fantinato, conseguiu um habeas corpus no Supremo Tribunal Federal (STF) para que seja “tratada com respeito” e não seja obrigada a “fazer o juramento de dizer a verdade” durante sua oitiva na Comissão Parlamentar de Inquérito da Covid, realizada hoje (8), no Senado.
A decisão de conceder o habeas corpus foi do presidente do STF, Luiz Fux, e assim, durante o depoimento, ela terá o direito de ficar calada diante dos questionamentos dos senadores. Apesar disso, Francieli fez um discurso inicial apresentando seu currículo e ressaltando as dificuldades de trabalhar no Ministério “sem as devidas condições”.
Francieli Fantinato afirmou que trabalhou 24 horas por dia, sete dias por semana, mas não contou com vacinas e nem uma campanha de comunicação efetiva para realizar o trabalho.
“O programa de imunização brasileiro tem 48 anos de expertise. Vacinamos 80 milhões de brasileiros contra a Influenza, mas infelizmente contra a Covid-19 não tivemos nem as doses de vacina e nem uma campanha de comunicação efetiva. Sem isso, não temos uma campanha de sucesso”, disse, categoricamente, a ex-coordenadora do PNI.
De acordo com Francieli, vacinação é uma prática de sucesso, mas quando a ação é colocada em dúvida não se consegue efetividade.
“Houve uma politização muito grande do tema vacinação. É um tema politizado por diversas pessoas, há falas públicas de pessoas que colocam em dúvida a efetividade da vacinação”, disse, sem dar nome de pessoas que promoveram tal politização.
O relator da CPI, senador Renan Calheiros (MDB/AL) tentou tirar uma declaração sobre quem promoveu essa politização, mas Francieli não quis fazer referência direta a ninguém, mas deixou claro que as falas do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), um adversário da vacinação, foi ruim e lançou dúvidas na população, que não aderiu à campanha.
Texto: Gerson Severo Dantas
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