quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Governistas apelam a Omar para mudar postura diante de depoentes

Senadores Ciro Nogueira e Marcos Rogério pedem que depoentes chamados como testemunhas não sejam tratados como investigados, como aconteceu com Roberto Dias.
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Os senadores governistas que integram a Comissão Parlamentar de Inquérito da Covid-19 abriram os trabalhos desta quinta-feira (8) fazendo um apelo para que a cúpula mude a postura diante dos depoentes chamados como testemunhas, mas que no curso da oitiva se transformam em investigados. O apelo ocorreu após a prisão do ex-diretor de Logística do Ministério da Saúde, Roberto Ferreira Dias, que mentiu diante dos senadores ontem (7).

O primeiro a falar foi o senador Ciro Nogueira (PP/PI), que fez um afago ao presidente da CPI, senador Omar Aziz (PSD), antes de pedir para que a postura mude. “Nós não podemos ser intimidados por noticias falsas ou baixaria. Tenho certeza que todos nós, em que campo estejamos – oposição, situação e independente -, estaremos juntos”, começou Ciro Nogueira.

“Cumpriremos o nosso dever, tudo com base na Constituição. Aqueles que imaginam que podem nos intimidar com calúnias, perdem tempo.. Aqui o combate é de ideais, o bom combate. não o da baixaria. Iremos, juntos, atrás do bem mais precioso do trabalho Legislativo, sobretudo numa CPI, a verdade”, afirmou Ciro Nogueira, líder do Centrão, o bloco de partidos que dá sustentação ao Governo Federal. Essa fala é uma resposta, modesta, para a nota do Ministério da Defesa contra fala de Omar Aziz sobre militares que desonram a farda.

Após essa fase, Ciro Nogueira pediu que, a partir de agora, “não se olhe para trás” e que depoentes chamados na qualidade de testemunhas não sejam transformadas em investigados como ocorreu com Roberto Dias, que saiu preso após cometer o crime de perjúrio (mentira) diante dos senadores.

Mais governistas endossam apelo

Outros senadores governistas aproveitaram o posicionamento de Nogueira para, também, comentar o ocorrido na sessão de ontem.

A prisão controversa de Roberto Dias, contudo, aconteceu porque, na avaliação do senador Alessandro Vieira (Cidadania/SE), ele abriu mão do direito de ficar calado e prestou o juramento de falar a verdade.

Para o senador Marcos Rogério (DEM/SE), Roberto Dias teve os sigilos bancário, fiscal, telefônico e telemático (internet) e nessa condição já era um investigado pela CPI. “Portanto ele não poderia estar aqui como testemunha, uma vez que já quebramos os sigilos dele. Espero que isso mude a partir de agora”, afirmou Marcos Rogério em questão de ordem que reforçou a fala de Ciro Nogueira.

Omar Aziz recebeu o apoio dos senadores Eliziane Gama (Cidadania/MA) e Humberto Costa (PT/PE), que avalizaram a decisão de prender Roberto Dias após áudios retirados do telefone celular do representante comercial da Davati Medical Suplly mostrar que o encontro entre eles havia sido combinado dois dias antes, versão diferente da apresentada pelo ex-diretor do ministério que disse ter sido incidental o encontro num restaurante de Brasília.

Omar Aziz, visivelmente contrariado, não comentou o pedido de questão de ordem e deu início a oitiva da ex-coordenadora do Programa Nacional de Imunizações (PNI), Francieli Fantinato.

Texto: Gerson Severo Dantas

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