A criação da federação União Progressista, entre União Brasil e Progressistas (PP), anunciada oficialmente nesta segunda-feira (28/4), trouxe para dentro da mesma bancada dois grupos que vivem em confronto aberto na Câmara Municipal de Manaus (CMM).
Com a nova federação, vereadores que antes atuavam como rivais agora serão forçados a compartilhar o mesmo espaço político.
O caso mais emblemático desse constrangimento está entre os vereadores Aldenor Lima (União Brasil) e Rodrigo Guedes (PP). Após ataques mútuos em plenário e nas redes sociais, Aldenor chegou a pedir a cassação do mandato de Rodrigo Guedes, seu agora “companheiro de bancada”.
Na prática, mesmo com a união formal das legendas, a bancada da União Progressista na Câmara segue rachada.
Isso porque Guedes e o também vereador Rodrigo Sá (PP) têm atuado como fortes opositores da gestão do prefeito David Almeida (Avante), enquanto os parlamentares do União Brasil são parte da base aliada ao chefe do Executivo.
Essa convivência forçada dentro da nova federação escancara o contraste entre os dois lados. Enquanto o PP faz oposição sistemática ao prefeito, o União Brasil tem caminhado ao lado de David Almeida, em votações de pautas polêmicas, como empréstimos, aumento da tarifa de ônibus e remanejamento orçamentário da prefeitura.
Na eleição da atual Mesa Diretora da CMM, por exemplo, os seis vereadores do União Brasil seguiram a orientação do prefeito e apoiaram a recondução de David Reis (Avante) à presidência da Casa.
Três deles, inclusive, ocupam cargos estratégicos na diretoria: Everton Assis (primeiro secretário), Aldenor Lima (segundo secretário) e Professora Jacqueline (terceira secretária).
Em votações recentes, os dois lados continuaram em rota de colisão. Na discussão do projeto que aumentava o limite de remanejamento do orçamento municipal, apenas os vereadores do PP se posicionaram de forma unânime contra a proposta do Executivo. Entre os seis do União Brasil, houve divisão.
O mesmo padrão se repetiu em outras votações, como a do requerimento que pedia explicações sobre a viagem do prefeito ao Caribe. Mais uma vez, os votos da nova bancada foram para lados opostos.
Mesmo com essas divergências, a federação garante à União Progressista a maior força política na CMM em número de cadeiras, com 8 vereadores.
Tudo indica que, apesar de formalmente unidos, os vereadores seguirão atuando em campos opostos, até que o comando da federação, que será do governador Wilson Lima, defina se dará um direcionamento de oposição, situação ou independência aos vereadores.
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