Com a morte do papa Francisco, a Igreja Católica inicia o processo de escolha do novo pontífice. O Brasil, país com a maior população católica do mundo, tem atualmente oito cardeais com menos de 80 anos, todos aptos a participar do conclave que definirá o próximo líder da Igreja.
O conclave é o processo formal de eleição do papa. De acordo com as normas estabelecidas pela constituição apostólica Universi Dominici Gregis, somente cardeais com menos de 80 anos têm direito a voto.
Atualmente, há cerca de 130 cardeais eleitores no mundo. Destes, oito são brasileiros.
A votação ocorre na Capela Sistina, no Vaticano, sob isolamento total dos cardeais eleitores. São realizadas votações diárias até que um dos candidatos obtenha dois terços dos votos.
Quando o consenso é atingido, o resultado é anunciado por meio da fumaça branca que sai da chaminé da Capela.
Quem são os cardeais brasileiros que participarão do conclave
Dom Odilo Pedro Scherer (São Paulo)

Nomeado cardeal por Bento XVI em 2007, é arcebispo de São Paulo. Tem atuação destacada nas áreas de doutrina e ensino religioso e já ocupou cargos administrativos na Cúria Romana. É fluente em várias línguas e é considerado um dos principais nomes da Igreja na América Latina.
Dom Orani João Tempesta (Rio de Janeiro)

Arcebispo do Rio desde 2009, foi nomeado cardeal por Francisco em 2014. Ganhou notoriedade pela organização da Jornada Mundial da Juventude em 2013, evento que trouxe o papa ao Brasil. Atua com forte presença pastoral nas periferias urbanas.
Dom Paulo Cezar Costa (Brasília)

Arcebispo de Brasília desde 2020, tornou-se cardeal em 2022. Tem formação teológica avançada e já representou o Brasil em conferências internacionais. É considerado próximo do pensamento de Francisco, com ênfase no diálogo inter-religioso e em pautas sociais.
Dom Leonardo Ulrich Steiner (Manaus)

Primeiro cardeal da Amazônia, foi nomeado em 2022. É arcebispo de Manaus desde 2019 e é ligado às discussões ambientais e indígenas. Participou do Sínodo da Amazônia e defende uma Igreja com presença mais ativa na região.
Dom Sergio da Rocha (Salvador)

Cardeal desde 2016, atuou em várias dioceses antes de assumir Salvador. Presidiu a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e tem perfil pastoral voltado para a assistência social. É respeitado entre os bispos latino-americanos.
Dom Jaime Spengler (Porto Alegre)

Nomeado cardeal em 2023, é o atual presidente da CNBB. Sua trajetória inclui trabalhos com juventude, formação e missões. Tem proximidade com movimentos populares e posições moderadas dentro da hierarquia eclesiástica.
Dom Raymundo Damasceno Assis (emérito de Aparecida)

Embora aposentado, ainda tem menos de 80 anos e pode votar. Presidiu a CNBB e o Conselho Episcopal Latino-Americano (Celam). Teve papel relevante no pontificado de Bento XVI e foi uma das principais vozes da Igreja no Brasil durante a década de 2000.
Dom João Braz de Aviz (emérito de Brasília)

Foi prefeito da Congregação para os Institutos de Vida Consagrada no Vaticano por mais de dez anos. Nomeado cardeal por Bento XVI, é conhecido por sua atuação internacional e por ter conduzido reformas importantes na vida consagrada.
Como funciona o conclave
O conclave é convocado sempre que a sede papal fica vacante, seja por morte ou renúncia. Os cardeais votantes se reúnem em clausura total na Capela Sistina.
Antes de cada votação, é feita uma missa denominada Pro Eligendo Pontifice. Durante o processo, todos os eleitores prestam juramento de sigilo absoluto.
São realizados até quatro escrutínios por dia. Se, após 33 ou 34 votos, nenhum candidato alcançar dois terços da votação, o conclave passa a considerar os dois mais votados, e a escolha é feita por maioria simples.
Contexto histórico dos últimos papas
Papa João Paulo II (1978–2005)
Polonês, foi o primeiro papa não italiano em mais de 450 anos. Teve papel importante na queda do comunismo na Europa e realizou grandes reformas e viagens internacionais. Morreu em 2005.
Papa Bento XVI (2005–2013)
Alemão, sucedeu João Paulo II. Foi o primeiro papa a renunciar em quase 600 anos. Intelectual e teólogo, atuou na reorganização doutrinária da Igreja. Após a renúncia, tornou-se papa emérito até sua morte, em 2022.
Papa Francisco (2013–2025)
Argentino, foi o primeiro papa da América do Sul. Enfatizou a atenção aos pobres, a proteção da Amazônia, o diálogo inter-religioso e promoveu reformas administrativas. Morreu em 2025, encerrando um dos papados mais representativos da América Latina.
A escolha do novo papa dependerá da articulação entre blocos regionais e correntes teológicas. O perfil mais provável é o de continuidade às reformas iniciadas por Francisco, embora existam setores da Igreja que defendem o retorno a posturas mais conservadoras.
*Com informações de InfoMoney
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