No próximo dia 14 de abril, a Universidade Federal do Amazonas (Ufam) realizará o segundo turno das eleições para reitor e vice-reitor da gestão 2025/2029. Duas chapas seguem na disputa.
O RealTime1 publica hoje a entrevista com a candidata à reitora Profa. Dra. Tanara Lauschner, que concorre pela chapa “Mudança!”, ao lado do candidato a vice-reitor, Prof. Dr. Geone Maia Corrêa.
A iniciativa do RealTime1 busca ampliar o acesso à informação e contribuir para que a comunidade universitária e a sociedade em geral conheçam melhor as propostas e reflexões dos candidatos à reitoria da Ufam.
RT1 – Sendo você da área da Computação, em uma eventual gestão, de que maneira ferramentas tecnológicas, como a inteligência artificial, poderiam ser incorporadas para aprimorar a gestão universitária?
Sim, a tecnologia pode, e deve, ser uma grande aliada da universidade, desde que usada com os pés no chão e voltada para as reais necessidades da comunidade acadêmica.
Um dos nossos compromissos é usar a tecnologia como ferramenta de enfrentamento à retenção e à evasão escolar. Por exemplo, vamos implementar modelos algorítmicos que ajudem a identificar sinais de alerta, como quando um aluno começa a se atrasar sistematicamente nas disciplinas. Isso nos permite agir antes que ele desista do curso, com ações de acolhimento, apoio pedagógico ou assistência social personalizada.
Mas deixamos claro: tecnologia não faz milagre. É preciso gestão comprometida. Durante a campanha, identificamos um exemplo concreto de como a má gestão impacta o dia a dia: as longas filas nos restaurantes universitários. Os estudantes perdem tempo precioso porque o sistema de compra ainda exige a emissão de bilhetes físicos. Isso poderia ter sido resolvido com algo simples: um aplicativo de compra online. Em oito anos, a atual gestão não fez.
Nosso compromisso é integrar tecnologia à gestão de forma ética, eficiente e acessível, com atenção especial à realidade dos campi do interior.
RT1 – A sua trajetória inclui experiências em cargos de gestão dentro e fora da Ufam. Como essa bagagem pode contribuir para uma administração que promova ciência, inclusão e planejamento institucional de forma concreta?
Minha trajetória sempre foi marcada pelo compromisso com a universidade pública, com a ciência e com a inclusão. Fui diretora do Instituto de Computação e, nessa função, ajudei a consolidar o PPGI, que alcançou as maiores notas da história da UFAM na CAPES. Coordenei o projeto SUPER, que foi o maior projeto de P&D da nossa universidade, envolvendo 11 unidades acadêmicas e mais de 3 mil estudantes com bolsas. Esse projeto teve um papel essencial durante a pandemia, garantindo acesso, formação e inclusão digital para quem mais precisava.
Também tive a oportunidade de atuar fora da UFAM, no Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, onde criei a Subsecretaria para a Amazônia e fui responsável pelo edital Pro-Amazônia, que destinou R$ 2 bilhões para fortalecer a ciência na região.
Essas experiências me prepararam para pensar uma gestão com planejamento, responsabilidade e sensibilidade. Eu sei como funciona a máquina pública, sei onde estão os gargalos, mas também sei onde buscar soluções. A ciência, a inclusão e o respeito à nossa diversidade regional vão ser eixos centrais da nossa atuação na reitoria.
RT1 – No primeiro turno, a chapa registrou menor votação entre os técnico-administrativos. Como você interpreta esse resultado e o que está sendo pensado para ampliar a participação desse segmento nas decisões da universidade?
Em primeiro lugar, quero reforçar o caráter democrático da consulta à reitoria. Independentemente do resultado em cada segmento, o nosso compromisso é com toda a comunidade universitária — estudantes, docentes e técnico-administrativos.
Defendemos pautas históricas do segmento, como a ampliação do Programa de Gestão por Resultados (PGR) e implementação da jornada de 30 horas. Também acreditamos na ampliação da participação dos TAEs na administração superior, inclusive à frente de pró-reitorias como a Pró-reitoria de Gestão de Pessoas (PROGESP).
Outro ponto central do nosso programa é a criação de uma política efetiva de combate ao assédio institucional, com escuta qualificada e medidas concretas de prevenção e responsabilização.
Nosso projeto entende que uma universidade forte se constrói com todos os segmentos ocupando espaços de decisão e sendo respeitados em sua trajetória e contribuição.
RT1 – Questões estruturais vêm comprometendo a rotina acadêmica na Ufam, com relatos de falta d’água, obras inacabadas e carências específicas nos campi do interior. Que medidas a chapa considera prioritárias para enfrentar esses problemas e melhorar a infraestrutura da universidade?
Enfrentar os problemas de infraestrutura da universidade é, sim, possível — e passa por reorganização orçamentária, captação de novos recursos e, principalmente, pela vontade de resolver. Há problemas concretos, tanto na capital quanto no interior, que precisam de ações específicas e planejadas.
Mas também temos insistido em algo fundamental: muitos dos gargalos não são apenas financeiros — são problemas administrativos. Não é admissível, por exemplo, que a universidade normalize a falta d’água a ponto de suspender atividades por uma semana. Isso não é infraestrutura, é gestão.
Também não podemos seguir convivendo com obras inacabadas por anos, sem diálogo com os nossos próprios técnicos, que conhecem os caminhos e sabem como apontar soluções para que a reitoria busque os recursos necessários.
Nosso compromisso é tratar a infraestrutura com responsabilidade e escuta. Vamos nos debruçar sobre os problemas específicos de cada campus: como a demanda do curso de Fisioterapia em Parintins, que precisa de uma piscina adequada, ou a questão do transporte de estudantes e servidores em Benjamin Constant e Itacoatiara. É preciso olhar para tudo isso com atenção, planejamento e ação coordenada. A universidade não pode funcionar no improviso.
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