domingo, 25 de outubro de 2026

Relacionamentos de valor: escolhas que elevam ou limitam sua jornada pessoal

COMPARTILHE
Psicóloga e Mentora de Líderes, especialista em performance de pessoas e negócios.

Certamente você já refletiu sobre o valor dos relacionamentos e os impactos que cada um deles tem em sua vida e em seus resultados. É sempre importante repensar e revisar como estão esses vínculos: quais devem ser modificados, quais podem ser aprimorados e quais precisam ser iniciados.

Quando falamos de valor, um dos significados presentes no dicionário se refere ao preço pago. Se fizermos essa analogia, podemos entender que cada um de nossos relacionamentos exige um valor a ser pago. Esse valor pode se traduzir em tempo, em qualidade, em dedicação, em esforço e até em sentimentos. Tudo isso se transforma em uma história, que pode ser positiva ou negativa, dependendo de como esses pagamentos se processam.

Como em qualquer investimento, se não avaliarmos corretamente em quais relacionamentos devemos investir, podemos colher resultados indesejados. Por isso, é fundamental refletir sobre os relacionamentos em que você realmente deseja aplicar seus recursos internos e externos.

Vejo muitos pais investindo excessivamente em suas redes sociais para obter mais curtidas, mas negligenciando o contato olho no olho com seus filhos. Vejo líderes que direcionam todo o seu esforço para o marketing pessoal voltado para a alta administração, mas não conquistam a verdadeira confiança de suas equipes. Também observo pessoas dedicando-se a “amizades” unilaterais, enquanto deixam de fortalecer os laços com amigos fiéis e verdadeiros.

Não estou falando sobre segundas intenções, nem sugerindo que tudo seja feito de forma utilitária. Porém, é importante estar atento: seus relacionamentos tem um valor, e esses vínculos geram resultados. Algumas pessoas vão, inevitavelmente, arrastá-lo para uma “conta negativa”, e nesse caso, realmente não vale a pena manter o relacionamento.

Marcelo Bigardi, em seu livro O Poder e o Impacto de uma Visão, faz uma analogia interessante: “Relacionamentos são como botões de elevador – alguns o levarão para cima, outros, para baixo”. Vale lembrar que todos os relacionamentos irão levá-lo a algum lugar, e quem aperta o botão é você.

Quero, portanto, reforçar a importância de escolher com critério as pessoas que farão parte da sua intimidade no cotidiano. São essas pessoas que estarão ao seu lado nos momentos de dificuldade, com as quais você celebrará suas vitórias, e serão elas que marcarão sua trajetória. Não deixe que suas escolhas o conduzam a relacionamentos que só o arrastem para baixo.

Isso me faz lembrar uma frase de Padre Fábio de Melo, no livro Quem Me Roubou de Mim: “Sem rodeios. Só há dois caminhos. Ou o relacionamento nos fortalece a subjetividade, encaminhando-nos a uma natural partilha do que somos, ou ele nos enclausura nos cativeiros do afeto possessivo, retirando-nos o direito de dispormos de nós mesmos.”

Infelizmente, algumas relações são construídas apenas sobre valor monetário, e não sobre o valor da entrega. Quando você deixa de fazer o que o outro quer, ou quando não está disposto a abrir mão de quem você é em nome da expectativa do outro, o relacionamento pode se tornar abusivo.

Lembro-me de uma história pessoal que gostaria de compartilhar. Já estive em um relacionamento que limitava meu potencial, que minava minha vontade de fazer mais e melhor, que afogava meus sonhos. Essa experiência me ensinou a ficar atenta às pessoas que escolho ter ao meu redor, pois quero doar meu tempo e minha energia de forma genuína e com amor, assim como também quero receber carinho, atenção e afeto, sem que ninguém me peça para deixar de ser quem sou.

Durante esse período, alguém me disse uma frase que nunca esqueci: “Lembre-se sempre de três tipos de pessoas: as que estão com você no momento da dor e da queda, as que se afastaram de você na dor e na queda, e as que causaram a dor e a queda. Cada uma tem algo rico para ensinar, e não podemos perder a lição, mas também não precisamos manter contato com as duas últimas.”

Em termos práticos, podemos escolher os relacionamentos que nos fazem crescer. Podemos optar por aqueles que nos apoiam, que fortalecem nossas qualidades e nos alegram. E, acima de tudo, podemos ser essas pessoas para os outros também.

Uma das maiores lições que aprendi foi focar no que sou, em meu caráter. Se um relacionamento exige que você abra mão de seus valores, então vale a pena abrir mão do relacionamento. Acredito firmemente que, se alguém o induz a tomar atitudes que vão contra seus princípios, essa pessoa não pode ser chamada de amigo. Relacionamentos que comprometem sua integridade provavelmente o farão perder algo ainda mais valioso.

Por isso, valorize relacionamentos que tem verdadeiro valor. Relacionamentos de entrega, de crescimento mútuo, e que respeitam quem você é.

*O conteúdo é de responsabilidade do autor e não expressa, necessariamente, a opinião do RealTime1.

COMPARTILHE